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Archive for novembro \26\UTC 2009

Keanu Reeves é Imortal

novembro 26, 2009 Deixe um comentário

“Muitos têm falado sobre o visual ‘eternamente jovem’ de Keanu Reeves. Se apenas soubessem da verdade… Esse é Paul Mounet, um ator francês nascido em 1847 e morto em 1922. Paul Monet morreu sob circunstâncias incomuns. Nenhum corpo foi encontrado. É simplesmente lógico presumir que Keanu Reeves é ou um vampiro ou imortal… Mas espere! Esse é Carlos Magno, que viveu de 742-814″.

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Stalin Vive

novembro 26, 2009 1 comentário

E virou um fanfarrão.

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Criacionismo não é Ciência

novembro 24, 2009 44 comentários

Há muito queria falar sobre criacionismo no meu blog e, como o assunto é muito complexo e delicado, esperei ter inspiração para poder escrever para fins de esclarecimento.

O que é Criacionismo?

Há duas vertentes do criacionismo. O criacionismo clássico, que é a crença de que a criação da vida, do universo e tudo mais ocorreu exatamente como se encontra relatada na Bíblia. Ou seja, o criacionismo clássico consiste em acreditar que o deus cristão, Jeová, criou os animais exatamente da maneira que eles são hoje.

O “neo-criacionismo”, também chamado de “design inteligente”, é a crença de que é impossível explicar certas características dos seres-vivos através do evolucionismo, sendo indubitavelmente necessária a intervenção de uma “causa inteligente” para essa explanação. Ou seja, seus seguidores acreditam que tem “a mão de deus” em todos os processos que culminaram nos seres vivos e no universo tais quais são conhecidos atualmente.

A Escalada Criacionista

O criacionismo está, infelizmente, muito em pauta nos dias atuais, principalmente pela força (lê-se montanhas de dinheiros de fiéis fanáticos) de algumas igrejas evangélicas. O que elas querem? Querem que o criacionismo seja ensinado nas escolas nas aulas de ciências.

Apesar do assunto ser atual, o empenho dos crentes é antigo. Nos Estados Unidos, onde a maioria da população é protestante, sempre houve tentativas de derrubar o ensino da evolução, baseada na obra “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, para se ensinar o Criacionismo. Como muitos alunos estavam sendo expostos aos argumentos evolucionistas nas escolas no fim da década de 1910 e início da década de 1920, foi aprovada, no Tennessee, a Lei Butler, que proibia o ensino da evolução humana nas escolas do estado, com medo que a compreensão das pessoas sobre como chegamos a ser o que somos hoje desvirtuasse a crença religiosa cristã. Em 1981 foi aprovada uma lei na Louisiana que garantia o ensino do criacionismo juntamente com o evolucionismo.

O termo “design inteligente” se popularizou com o livro “Of Pandas and People”, que defendia o ensino do criacionismo juntamente com o evolucionismo.

Os criacionistas, até meados do século XIX, não tinham problemas em manter que o que está escrito na Bíblia, em termos do surgimento do homem e das espécies, é a verdade, visto que a ciência ainda não tinha um modelo aceitável sobre o assunto. Com a publicação de “A Origem das Espécies”, em 1859, surgia uma maneira simples e elegante que podia explicar, passo por passo, a evolução de todos os seres vivos. Através de um meticuloso trabalho de décadas, Darwin, pela primeira vez na história da humanidade, demonstra que a existência das espécies, tais quais existem hoje, pode ser explicada cientificamente, sem a necessidade de uma intervenção divina e/ou inteligente.

Cabe aqui a observação de que os criacionistas tentam dissuadir o fato de que o design inteligente é uma adaptação do criacionismo clássico para que esse possa ser ensinado nas aulas de ciência. Eles afirmam que a “força sobrenatural” poderia ser qualquer entidade de qualquer religião, tudo isso para tornar a falácia criacionista cosmopolita e ser mais aceita, tirando seu vínculo a apenas uma religião, o que poderia acarretar em argumentos de que estar-se-ia dando preferência aos cristãos. Apesar dessa negativa de vínculo, o livro “Of Pandas and People”, em seu rascunho, teve a palavra “creationists” sistematicamente substituída pelo termo “design proponents”; essa trama foi revelada através da observação de uma mistura das duas palavras, creationist e design proponents, que saiu como “cdesign proponentsists” (c[reation] proponents[ists]). Ou seja, escreveram o livro inteiro com a palavra “creationists” e só depois tiveram a ideia de desvinculá-la ao criacionismo, foram no word, apertaram Ctrl+U e substituíram, tudo muito simples. Após essa evidência, a farsa da segregação das duas teorias ficou insustentável.

A publicação de Darwin, obviamente, foi polêmica. Com o passar dos anos, estudos e descobertas davam cada vez mais credibilidade ao evolucionismo, o fortificando. Amplamente aceito, o evolucionismo foi sendo ensinado nas escolas, o que foi visto com maus olhos às pessoas mais fundamentalistas cristãs, que temiam que seus filhos parassem de crer em Deus pelo conhecimento da evolução darwinista. Também, como o evolucionismo descreditava uma interpretação literal do texto bíblico, interpretação esta que era (e ainda é) seguida por várias vertentes do protestantismo, buscou-se, de várias maneiras, proibir o ensino evolucionista nas escolas.

Mas com novas descobertas, como o advento da genética e da biologia molecular, o evolucionismo foi sendo progressivamente sedimentado e aceito por toda comunidade científica. Com o evolucionismo consolidado nos dias atuais, sendo, assim, praticamente impossível destituir seu ensino em estados laicos, os criacionistas tiveram que se adaptar, tal como os organismos através da seleção natural, para sobreviver. Assim, o criacionismo surgiu com o “design inteligente”, dizendo que há certas características nos seres vivos que a evolução não explica adequadamente e que a introdução de uma inteligência superior é indispensável para sua elucidação.

Por que o Criacionismo não é Ciência?

Primeiro, temos que caracterizar o que é ciência. Ciência é, basicamente, a aquisição de conhecimento através da utilização do método científico.

O método científico consiste na união de determinados elementos para que se garanta a produção de um novo conhecimento. Para que se produza o conhecimento científico deve-se, então, seguir os seguintes passos, na determinada ordem: observar (definir o problema), recolher dados, propor uma hipótese, realizar uma experiência controlada para testar a validade da hipótese (princípio da falseabilidade), analisar os resultados, interpretar os dados e tirar conclusões, o que serve para a formulação de novas hipóteses.

Toda produção científica deve-se iniciar com a observação do fenômeno e, sucedendo a essa observação, deve-se recolher dados sobre ela para então propor uma hipótese. Depois vem o princípio da falseabilidade, que significa que a hipótese deve poder ser refutada, testada. Por fim deve-se analisar os resultados desse teste/contestação, para se chegar a conclusões através da interpretação dos dados adquiridos.

A hipótese de Darwin é que os animais evoluem através da seleção natural. Isso pode ser testado. Por exemplo: cultive uma grande população de bactérias num meio apropriado e depois aplique um antibiótico fraco, as adaptadas previamente sobreviverão e se multiplicarão, enquanto as outras não. Teremos então uma população inteira de bactérias resistente a determinado antibiótico. A constante seleção desses seres culminará em indivíduos bastante diferentes dos observados inicialmente. Uma característica aparentemente inútil, no início, tornou-se vital.

Não é apenas em organismos microscópicos que se pode constatar a adaptação de um ser vivo através da seleção natural. Animais introduzidos a algum tempo em ambientes diferentes apresentam modificações morfológicas facilmente identificáveis, como é o caso do coelho-selvagem australiano, que foi trazido da Europa, e hoje apresenta diferença quanto ao tamanho corporal, peso e tamanho das orelhas, devido ao clima quente e seco que encontrou. Outros exemplos são o I’iwi, uma ave havaiana que teve seu bico encurtado a partir do momento que sua fonte predileta de néctar começou a desaparecer e ela teve que procurar seu néctar em outros locais; e o Caramujo da Nova Inglaterra, que teve o formato e a espessura de sua casca modificada, provavelmente em resposta à predação pelos caranguejos.

Enquanto o evolucionismo respeita toda sistemática e metodologia científica, o criacionismo não. O “design inteligente” não respeita o princípio da falseabilidade, ele não pode ser testado. A estratégia criacionista para fazer valer sua “teoria” é tentar mostrar que há “falhas” na evolução. Aí fiquemos atentos à perspicácia dos elaboradores, os auto-intitulados (ctrl+U no word agora) “design propentists”. Eles tomam como verdade, sem nenhum argumento científico válido, que há uma dualidade na qual apenas o evolucionismo e o criacionismo são possíveis, sendo que um fator desfavorável a um é definitivamente um fator favorável a outro; em poucas palavras, se não é X é Y. Mas isso está longe de realidade. Eles utilizam essa estratégia simplesmente porque ela é estritamente necessária. Como eu disse anteriormente, o criacionismo não pode ser testado, ele não possui base científica válida, então a única maneira de fazê-lo parecer possível é através destas distorções. Já o evolucionismo tem raízes científicas fortes, ele nasceu da ciência pura, e não do sobrenatural, ele está livre das amarras da ignorância e da malícia para fazer valer seu argumento. Essa situação já mostra a colossal fragilidade do argumento criacionista.

Assim sendo, quaisquer argumentos apresentados pelos criacionistas contra a evolução não podem, de maneira alguma, ser tomados como evidência do “design inteligente”.

E o mais importante: onde estão as evidências de que algo sobrenatural age ou agiu nos seres vivos? Onde estão os fatos que mostram isso? Como podemos identificá-los? Como mostrar que uma inteligência ultraevoluída criou os animais que conhecemos do jeito que eles são? Carl Sagan já dizia, alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias. E mais: o fato de algo assim interagindo com todos os seres vivos explicaria qualquer coisa. Qual a diferença de algo que não podemos ver, que não podemos detectar, que não podemos sentir, que não podemos observar, que não podemos identificar sequer o mínimo sinal através de estudos minuciosos (e até moleculares e atômicos) de algo inexistente? O que explica tudo não explica nada.

Estratégias dos Criacionistas


Mesmo assim há um esforço colossal por parte dos (ctrl+U no word) “design propentists”, através de distorções de várias ciências, para tentar “enfraquecer” o evolucionismo. Entre os esforços mais notáveis, temos a falácia da “complexidade irredutível” e da “complexidade especificada”, sendo ambos “argumentos” já, há tempos, refutados.

A “complexidade irredutível” diz que há, por exemplo, orgãos tão complexos que seria impossível serem criados aos poucos, pois a remoção de qualquer um dos elementos que o formam o destituiria de sua função básica. Baseada na “complexidade irredutível”, um órgão que se tornou bastante popular é o olho humano. Os criacionistas afirmam que o olho é muito complexo e que, retirando qualquer uma de suas “partes” ele não “funciona”. Portanto, o olho seria impossível de ser criado pela seleção natural, por ser muito complexo, e não poderia ter evoluído aos poucos porque tudo o que o forma é essencial. Mas aí está a distorção, nem todas as funções do olho que nós possuímos foram sempre necessárias. A evolução do olho está bem estabelecida, basta estudar zoologia. Desde o ocelo das planárias, que só são capazes de identificar a presença e a intensidade da luz, passando por outros olhos mais desenvolvidos como dos invertebrados, até chegar nos vertebrados, através dos peixes, répteis etc. Todo esse estudo revela uma lenta adaptabilidade e evolução dos olhos. Não à toa, a “complexidade irredutível” já foi refutada em artigos de pesquisa e rejeitada pela comunidade científica em geral.

A “complexidade especificada” é ainda mais esdrúxula, ela afirma, basicamente, que algo que tem uma complexidade específica tal que seria muito improvável ocorrer ao acaso, ela seria identificada então como intelegente e, assim sendo, seria originada por uma entidade inteligente. Ela dizia que a complexidade das “mensagens” transmitidas pelo DNA eram complexas o suficiente para que fosse comprovadamente originária de um ser inteligente. Ela até define um valor limite de que qualquer coisa com menos de 1 em 10150 chance de ocorrer naturalmente, é proveniente de uma força sobrenatural. Sim, o argumento é esse, é tautologia. O criador do termo, matemático, filósofo, e teólogo William Dembski, apenas escolheu arbitrariamente um número e decidiu que seria assim. É assim porque ele quer e ponto, sem nenhuma base científica. Obviamente, esse termo é totalmente rejeitado pela comunidade científica.

Mais estratégias são utilizadas pelos criacionistas para fazer com que o “design inteligente” seja ensinado nas aulas de ciências. Uma delas é tentar fazer com que a evolução pareça uma teoria em crise, enquanto que, na verdade, como eu já disse e mostrei, ela só vem ganhando mais e mais força e está totalmente consolidada na ciência. Outra é dizer que a evolução é só uma teoria, havendo outras explicações pertinentes; eu já mostrei aqui que o criacionismo não é uma destas explicações, e mais, não é apenas uma teoria, cabe aqui a frase de Dobzhansky de que nada faz sentido em biologia a não ser à luz da evolução: sem a evolução seria impossível explicar o porquê do mundo vivo ser como é.

Outra estratégia que utilizam é de que o ensino deve ser democrático e que, se é ensinada a evolução, deve-se dar a liberdade para que também se ensine o criacionismo. Essa é uma falácia pois, como eu já demonstrei, e como tribunais nos Estados Unidos já julgaram, e como cientistas já rejeitaram, o criacionismo não é ciência, não possui nenhum argumento válido e, assim sendo, não há porque ensiná-lo justamente na aula de ciências. Essa falácia põe o criacionismo no mesmo nível que o evolucionismo, o que é uma mentira.

A Ciência Prevalece

Apesar de todos argumentos contrários, o poder da crença fanática, da ignorância e do dinheiro é forte. Os criacionistas seguem tentando, a todo custo, inserir o ensino do “design inteligente” nas aulas de ciência. Em algumas escolas respeitáveis, como o Mackenzie, isso já é realidade, por incrível que pareça. A esposa do Garotinho tentou instituir o criacionismo nas escolas públicas do Rio de Janeiro quando foi governadora, mas não obteve sucesso. Mesmo assim, o criacionismo, após algumas derrotas recentes, está aparentemente adormecido, mas educadores e cientistas só estão esperando uma nova formulação fantástica para um novo ataque.

O criacionismo já não é científico desde o início: ele parte já da “certeza”, já parte da ideia de que há uma inteligência que “guia”. O criacionismo é uma ânsia de pessoas desesperadas que possuem uma crença tão fraca em seu deus a ponto de poder ser destruída através de constatações verídicas que se faz na natureza. O criacionista  tem uma crença tão frágil que precisa modificar, sabotar e distorcer fatos provados para que ele possa manter seu mundo. O deus do criacionista é tão impotente que o fato de existir processos pelos quais os seres vivos evoluíram o condena a inexistência.

Como escreveu Darwin, “enorme é o poder da distorção constante; porém, a história da ciência mostra que, felizmente, este poder não resiste muito tempo”. E a ciência prevalece.

Recomendado: Qual a situação da Educação Científica no Brasil

Veja também: Criacionismo nas Escolas: Tendência Mundial?

Leia Por que não confiam na ciência?

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Dramaturgia Brasileira e o Futebol

novembro 18, 2009 Deixe um comentário

A arte imita a vida.

Vi no Jacaré Banguela.

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Categorias:Humor, Vídeos

Mercedes Benz compra Brawn GP

novembro 16, 2009 Deixe um comentário

Foi anunciada hoje a compra da Brawn GP, estreante e campeã de pilotos e equipes de 2009, pela Mercedez Benz.

É inacreditável o que os Japoneses são capazes de fazer. Por que os japoneses? Porque a Brawn era Honda. Eles montaram uma fábrica, criaram uma equipe de Formula 1,  tiveram péssimos resultados, venderam a equipe para o Ross Brawn por um mísero dolar. O inglês assumiu a equipe, venceu o mundial de construtores e de pilotos e vendeu para Mercedes por milhões… Não completamente, mas 75,1% dela, o que dá o controle à empresa alemã.

Esses acontecimentos resolvem o problema da falta de dinheiro que a Brawn GP vinha enfrentando pois, visto todo o investimento que a Mercedez investiu durante todos esses anos de parceria com a McLaren, da qual possuía apenas 40% das ações, ante os mais de 75%, imaginem agora com uma equipe praticamente só dela.

O que eu penso é que, com dinheiro praticamente ilimitado e um gênio no comando (Brawn permanece o cabeça), renasce uma escuderia muito competitiva que tem tudo para ser campeã, não imediatamente, mas num futuro próximo. A não ser que cometa os mesmos erros da BMW…

Abaixo a foto divulgada pela própria Mercedes em seu site oficial, de como deverá ser o carro. Eu achei lindo.

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A Diferença entre Huxley e Orwell

novembro 12, 2009 Deixe um comentário

Atenção… essas charges não são minhas, achei na internet. Pra ler e refletir, achei muito boas.

huxley vs orwell

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A Redação de Joãozinho

novembro 12, 2009 Deixe um comentário

Conto aqui uma história verídica de domínio público (eu não sou o autor, apenas transcrevi em linhas), da trágica história de Joãozinho.

Joãozinho era um garoto muito feliz. Tinha uma família de raiz européia, estudava em escola particular e tinha muitos, muitos amigos. Estava na terceira série do ensino fundamental quando sua vida deu uma séria guinada.

Foi na aula de Português que sua professora, dona Matilde, pediu para fazer uma redação, de tema livre, para analisar a capacidade imaginativa de seus alunos. Joãozinho, que adorava ler e escrever, ficou extasiado com a tarefa, de modo que imediatamente deu início à sua redação. Não ficou exatamente da maneira que ele queria mas, enfim, as histórias às vezes se escrevem sozinhas e somos apenas um meio pela qual elas ganham palavras escritas.

Terminada a redação, Joãozinho, como era de costume, revisou-a e entregou à sua professora para que ela fizesse a correção. Cabe lembrar que Joãozinho era, até então, o aluno preferido dela, e não apenas dessa sala, mas sim de todos os alunos que já tivera em sua sala. E olha que dona Matilde já estava aposentada, com seus 77 anos, e só lecionava por puro amor.

Como ainda restava um bom tempo para terminar a aula, e como, também, Joãozinho foi o primeiro a terminar, como também era de costume, dona Matilde resolveu dar início à correção na sala de aula mesmo, diminuindo assim a quantidade de redações que teria que ler em sua casa.

professora1

Joãozinho, por sua vez, voltou para sua carteira e voltou a ler o livro que havia ganhado do pai na semana passada, que estava muito interessante. Dez minutos depois a classe toda se assusta com um alto grito proferido pela professora. Sim, um grito, logo por ela, dona Matilde, que era toda paciência e amor.

– Joãozinhooooooo! – gritou – venha já aqui!

Joãozinho levantou-se assustadíssimo e se dirigiu à mesa de sua querida professora, sem saber o que causara tamanha alteração de seu estado.

– O que significa essa redação? – perguntou dona Matilde.

– Como assim professora? Ficou ruim? – respondeu, perguntando, um intrigado Joãozinho.

– Ruim? Ruim? O fato de ser bem ou mal escrita é um fator irrelevante! Como você escreve coisas absurdas como essas? Como você acha que uma pessoa pode sequer achar que um dia isso seria perdoável??? Em nenhum dos meus 55 anos de profissão eu vi algo que se aproximasse de tamanha heresia! Saia já da minha sala de aula! E leve essa imundície com você! Você está terminantemente proibido de retornar aqui! Nunca mais entendeu?

O pobre Joãozinho ficou sem entender. Qual era o problema com sua redação? Ele não havia escrito nada de mais…

Saindo da sala de aula que fora expulso, Joãozinho adentrou ao corredor adjacente com a redação em mãos, lendo, procurando qual teria sido o problema com ela. Não estava conseguindo achar. Nesse momento apareceu um de seus melhores amigos, Pedrinho, que havia ido ao banheiro. Vendo a expressão de tristeza e incompreensão de seu amigo, Pedrinho perguntou do que se tratava. Joãozinho explicou da redação e deu-a para que seu amigo avaliasse. Terminando, Pedrinho respondeu:

aluno

– Você “tá” brincando né? Como se atreve fazer a mim, um de seus melhores amigos, ler um absurdo desses? Não sou mais seu amigo! Não quero mais saber de você! Suma da minha frente e nunca mais olhe na minha cara!

Joãozinho saiu, mas continuava sem entender qual era o problema. Ele não fez nada de errado. E por mais que tivesse feito, que erro seria esse que fazia com que tudo que ele havia feito de bom ter sido totalmente esquecido?

Já no pátio, voltou a ler sua redação, procurando uma resposta, quando aparece a inspetora perguntando-o o que estava fazendo fora da sala de aula. Joãozinho explicou o ocorrido e ela pediu para ler a redação. Quando terminou de ler, sua reação não foi diferente dos outros:

– O que é isso Joãozinho? Como você, um menino tão bom, escreve uma coisa dessas? Que absurdo, nunca imaginei na minha vida passar por uma situação semelhante a essa que eu estou passando agora! Você vai direto para sala da diretora.

Joãozinho, intrigado, foi conduzido pela inspetora de alunos até a sala da diretora. Chegando lá, sentou na cadeira em frente à mesa e recomeçou a ler… a diretora estava demorando, de modo que ele conseguiu terminar a leitura, continuando sem entender. Esperou por mais um tempo até que a diretora entrou na sala, calma, estranhando o fato de justo Joãozinho estar lá. Mas achou que certamente havia sido um grande mal entendido. Perguntou então para o garoto que explicou toda a situação.  A diretora pediu a redação e leu, dizendo em seguida:

– Joãozinho! Que negócio é esse? O que deu na sua cabeça? Aliás, como você conseguiu pensar num absurdo desses? E mais, como teve a audácia de escrever numa redação??? Você só está na terceira série menino! Isso é inadmissível! Eu sou educadora, pedagoga, mas isso é intolerável! Seu caso é irrecuperável! Você está expulso da escola. Jamais passe sequer aqui em frente! Sai! Já!

escola

Humilhado, o ex-aluno da escola inglesa King Edward sai para rua, desiludido. A caminho de casa encontrou seu irmão, mais velho, que estudava no período vespertino. Zezinho, vendo seu irmão, pergunta o que houve. Ele explica tudo o que ocorreu e seu irmão pede para ler a redação. Joãozinho entrega na esperança que seu irmão o ajudasse a resolver o enigma. Mas não podia estar mais enganado.

– Que diabos é isso? Eu não sou mais seu irmão! Como você se atreve a escrever uma coisa dessas e ainda por cima me dar pra ler? O que você acha que eu sou? Saia daqui e nunca mais olhe na minha cara! Esqueça que eu existo que eu já esqueci de você!

mãe

Completamente aturdido, Joãozinho sai de perto apressadamente e corre desesperado para sua casa, onde está sua mãe. Chega chorando tentando explicar, chorando, o que para ele era inexplicável, incompreensível. De nada adianta, até mesmo sua mãe reage mal.

– Como assim??? Quem lhe ensinou uma coisa dessas? Eu não! Essa não foi a educação que eu lhe dei! Meu filho não escreveria jamais algo assim. E não só meu filho, acho que filho de nenhuma mulher no mundo seria capaz de uma coisa dessas! Saia já de casa que eu já não sou sua mãe! Nunca mais volte para cá! Você vai viver o resto de sua vida como mendigo, porque é isso que você merece!

Por mais que tudo de pior estivesse acontecendo, Joãozinho não esperava por isso. Ser expulso de casa por algumas simples palavras? Palavras essas que, ao seu ver, nada tinham de especial. Palavras humildes e simples, um texto inocente. Saiu para rua, sem casa, sem lar, sem família, sem cachorro. Cabisbaixo, desacorçoado, com a redação na mão e a mochila nas costas. Entrou numa viela para descansar, mas foi surpreendido por um assaltante.

– Passa já tudo que você tem aí! – disse o malfeitor. O menino entregou a mochila. – E esse papel aí? Deixe-me ver!

O assaltante teve sua atenção chamada pela história, e a leu inteira. Fitou o menino e perguntou:

– Foi você que escreveu isso?

– Sim.

– É… toma, me desculpe viu… É tudo seu, leve minha arma também e esse dinheiro. Eu já me meti com tudo nessa vida, mas você parece realmente perigoso. Esquece de mim. Foi um erro meu! Desculpe!

E saiu em disparada pela viela, deixando tudo com o menino. Joãozinho estava inquieto. Ora, o que tinha naquelas despretensiosas linhas que,  diferente de todos, ele não decifrara? Não sabia mais o que fazer. Continuou errante pela cidade, até que avistou uma igreja, onde entrou para pedir conselho. Era sua última esperança!

Encontrou então o padre, explicou tudo, com todos detalhes e lhe entregou a redação. O padre pegou, achando graça. Depois que leu sua fisionomia mudou, dizendo, seco, poucas palavras.

padre

– Saia daqui. Está excomungado. Não há salvação para você.

Joãozinho saiu. Continuou errando e lendo, errando e lendo. Encontrou uma ponte e de lá de cima se jogou, morrendo. Finalmente a tortura acabara, pensou. Mas ledo engano. Joãozinho foi bater nos portões do céu, com a redação na mão.

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São Pedro, o guardião da porta do céu, perguntou como uma pessoa tão jovem havia morrido. O menino explicou mais uma vez, esperando a redenção. São Pedro achou graça, pegou a redação, fitou o menino e nada disse. Quando se deu por si, Joãozinho havia se esborrachado no inferno, com sua redação na mão. Lá foi encaminhado para o coisa-ruim, cramunhão, diabo, canhoto, lúcifer, belzebu, tranca-rua, traquinas, ou seja lá como deseja o leitor chamar.

– Criança! Há tempos não recebo uma criança! – Disse o Senhor das Trevas. – O que fizeste, meu jovem rapaz, para merecer meu aquecido lar?

– Nada! Nada! Eu não fiz nada de mais! Te juro! Eu não agüento mais isso e não sei o que aconteceu! A única coisa que eu fiz foi escrever essa redação e todos me execraram! Eu a reli milhões de vezes e não tem nada de mais! Nada! Por favor seu Demônio! Me ajude pelo menos a esclarecer o que há de tão maligno em minha redação!

diabo

– Uma redação? – Riu o Anjo Caído – Deixe-me ler.

Joãozinho entregou. O diabo pegou a redação e começou a ler. Nome: João da Silva. 3ª série…. E de repente uma ventania tomou conta do ambiente infernal, a folha escapou das mãos do Dono da Escuridão e do sofrimento e saiu voando… Labaredas de fogo se ergueram com o vento, sendo que uma dessas labaredas veio por ser o fim da redação, a razão pela queimada e pela perda eterna do texto de Joãozinho, que apenas os envolvidos diretamente na história souberam, cabendo a nós apenas imaginar.

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