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Comentários sobre a entrevista de Neymar

abril 29, 2010 1 comentário

O reflexo da juventude brasileira…

Concordo com praticamente tudo que foi falado, veja o detalhe: tantos mil vão pra igreja que ele freqüenta, um Kaká piorado.

Segue a entrevista:

Sonia Racy – O Estado de S.Paulo

Quando nasceu, Neymar ficou sem nome por quase uma semana. Indecisos, seus pais, Nadine e Neymar Santos, pensaram em “Mateus”. “Mas minha mãe sugeriu botar Neymar para ver se um dia esse nome vingaria”, conta o pai do garoto.

Neymar pai jogou futebol em clubes pequenos, o que lhe rendeu o patrimônio de um terreno. Neymar filho, aos 17 anos, já comprou uma cobertura tríplex em Santos – com piscina, sauna e espaço gourmet dentro do apartamento. Uma jacuzzi com TV de plasma ocupa o banheiro de seu quarto. Lá, a nova e grande estrela do Santos vive há cinco meses com pai, mãe, irmã e um primo – que tenta a vida como jogador.

Uma estante envidraçada com fotos, medalhas e troféus de “Juninho” decora a sala-de-estar da casa da família, onde a coluna foi recebida em dois dias diferentes. No primeiro, o pai e empresário do craque contou histórias inéditas. No outro falou o filho – mostrando-se, em família, um tímido e brincalhão.

“E pensar que o Juninho quase morreu”, emociona-se a mãe. “Ele tinha quatro meses e estava no carro comigo e com meu marido quando sofremos um acidente. Ele estava deitadinho atrás e, quando batemos, rolou para debaixo do meu banco. Mas Deus estava no controle e ele só cortou a testa. Meu marido ficou três meses na cama.”

Agora, aos 18 anos, com saúde e futebol para vender por milhões de euros, ele é “um vulcão em erupção”, conforme define seu pai – e para chateação do técnico Dunga. Neymar está solteiro. Rompeu o namoro de cinco meses com uma garota de 16 anos, do Guarujá. Seu pai bem que tenta aconselhar as namoradas do filho: “Para ser mulher de atleta, tem que fazer vista grossa. Homem apronta, mas quando a ficha cai, ele volta. Veja o Robinho, ele sossegou”.

Neymar diz que não quer saber de se apaixonar. “Agora não. Quero curtir a vida”, avisa, esparramando-se no sofá. Entrelaçando as pernas em uma almofada, narra seu sacrifício para não cair no canto das marias-chuteiras. “Você tá quietinho e elas é que vêm para cima. A gente tenta dar umas cortadas, mas é complicado. Tem que ser esperto, primeiro conhecer, ver de onde ela vem, no que está interessada, se ela gosta mesmo de você. Daí você investe.”

E o assédio é grande. “Tem mulher mais velha, mais nova, tem de tudo. Tenho que ficar com o olho bem grandão”, afirma, arregalando o seu par verde.

Para proteger o filho de companhias oportunistas e de impulsos consumistas, quem administra o dinheiro do craque é o pai. Ele diz deixar apenas R$ 5 mil na conta do moço – valor bem inferior ao salário, que hoje beira os R$ 150 mil mensais. “E cinco mil ainda acho muito, porque o Juninho não precisa comprar nada. Tem contrato com a Nike, ganha roupas, tudo. Parece um polvo, tem mais de 50 pares de sapatos.”

História que o jogador confirma. “Eu acho bom, porque a grana acaba. E sou meio gastão, né? Principalmente em viagens. Compro presente para todo mundo. Até para o cachorro, se deixar.” O jovem também coleciona relógios, perfumes e brincos. “Mandei fazer um brinco de ouro com as letras “NJ” (de Neymar Junior).”

Ele adora, também, comprar roupas. Os estilos “variam com o humor”. Fora das marcas esportivas, prefere Calvin Klein e Armani. “Calça gosto assim: apertadinha embaixo e larga na cintura. Aparecendo a cueca.”

Mas o interesse por moda é recente. Quando pequeno, ele queria mesmo era “comprar um supermercado de bolachas. Para poder comer as recheadas a qualquer hora”.

Neymar tem uma marcante passagem na infância que envolve molecagem, inveja e, novamente, bolachas. Certa vez, ele e um grupo de amigos do clube foram a uma padaria e roubaram um pacote de biscoitos. Ao perceber, o então treinador Betinho fez o grupo voltar, pagar e pedir desculpas. O deslize rendeu. Um dos pais dos meninos envolvidos foi até o presidente do clube e disse: “Esse Neymar, que vocês ficam pajeando, é um ladrão”. A história caiu como uma bomba nos ouvidos de Neymar pai, que só soube da história quando voltou à noite do CET, onde trabalhava como mecânico. “Todos estavam envolvidos, mas foram reclamar só do Juninho por pura inveja. Ele era o único a ganhar duas cestas-básicas em vez de uma.”

Por falar em inveja, Neymar pai conta que desde pequeno o filho jogava com “fitinha de Jesus” na cabeça. “Minha mulher fazia questão, que era para protegê-lo. Mas chegaram até a chamá-lo de “mascarado”. Quando foi para o Santos, teve que abandonar essa proteção.”

Com ou sem faixa, Neymar, segundo seu pai, sempre foi e continua sendo um fiel contribuinte da Igreja Batista Peniel, de Sãio Vicente. Doa 10% de tudo o que ganha para lá. “O primeiro salarinho dele foi R$ 450. Fizemos esse primeiro contratinho dele no Santos e minha mulher pegava os R$ 45 e dava para igreja todo mês. OK, ainda sobravam uns R$ 400 para pagar as contas. Daí ele passou a ganhar R$ 800. Tá bom, doa R$ 80… Só que Deus começa a te provar, né? Pegamos R$ 400 mil. Caramba, meu, como vamos “dizimar” R$ 40 mil? É um carro! Cara, mas daí você pensa que Deus foi fiel. Pum, dá R$ 40 mil! Mas daí vieram “catapatapum” reais. Meu Deus, não quero nem saber, “dizima” logo isso! (risos). É… Deus te prova no pouco e no muito”, suspira o patriarca da família Silva Santos. E o que pensa disso o jogador? Como revela na conversa que se segue, o dinheiro não lhe faz a menor falta.

Dói abrir mão de R$ 40 mil?

Para Deus, nada dói. E acho legal. A gente conhece bem o pastor da Peniel. Faz dez anos que estou lá e agora estão ampliando a igreja. Acho que se a gente acreditar em Deus, as coisas vêm naturalmente. Deus me deu tudo: dom, sucesso…

Falando nisso, qual é a parte chata de fazer sucesso?

Ah, não tem parte chata. Eu acho que é sempre legal.

Já foi vítima de racismo?

Nunca. Nem dentro e nem fora de campo. Até porque eu não sou preto, né?

O que gostaria de poder comprar que ainda não tem?

Queria um carrão.

Mas você acabou de comprar um Volvo XC-60, por R$ 140 mil, Não é um carrão?

Ah, é, mas queria uma Ferrari. Nunca andei.

Uma Ferrari ou um Porsche?

Não sei. Qual é melhor?

Não sei, também.

Ah, então eu queria um Porsche amarelo e uma Ferrari vermelha na garagem.

Qual é seu tipo de mulher?

Linda.

Prefere as loiras, as morenas, japonesas…?

Tem que ser linda. Sendo linda, tá tudo certo. E só não pode ser interesseira.

Você alisa mesmo os cabelos a cada 20 dias?

Aliso. Nem sei o que eles (cabeleireiros) fazem. Só sei que tem um cheiro ruim. Mas fica bom porque meu cabelo é meio enrolado. Aí tem que alisar para o moicano espetar. E também pinto de loiro. Sou meio maluco, né?

Parece que você tira as sobrancelhas também…

Tiro aqui embaixo (diz, penteando-as com os dedos).

E o que mais você faz para cuidar da aparência?

Depilo as pernas com uma maquininha. Da canela até as coxas. Acho que fica melhor assim. Ah, e faço o pé com a podóloga do CT (Centro de Treinamento do Santos). E, olha aqui, meu pé até que é bonitinho, né? O pessoal costuma ter a unha preta. Eu, não.

Como gosta de se divertir?
Depende. Quando eu ganho o jogo, aí saio para bagunçar. Mas se perco, prefiro ficar quieto em casa. Só jogo uma sinuca. Fico chateado, bravo e se alguém fizer uma piadinha na rua… eu não tenho sangue de barata. Também gosto de dançar. Danço de tudo: funk, psy, sertanejo, blackmusic.

Gosta de viajar?

Gosto de ir para outros lugares, mas não gosto de viajar, não. É chato ficar dez horas dentro do avião. Você anda para lá e para cá e nunca chega.

Qual o lugar que mais gostou de conhecer?

Os Estados Unidos. Fui para Nova York e Los Angeles. É tudo é diferente, né? A rua, o cheiro. Fui também para Catar, México, Nigéria.

Para onde gostaria de ir?
Hmmm… para a Disney. Gosto de parque de diversões, brinquedos radicais. Tenho medo, mas eu vou. Ah, e Cancún também. Não surfo, mas pego um “jacarezinho”.

Já tirou seu título de eleitor? Não tirei. Nem queria, mas vou ter que tirar.

Sabe quais vão ser os candidatos à Presidência?

Não sei, não

Gosta do Lula?

Não tô prestando muito atenção nisso. Mas agora vou ter que passar a prestar.

E até onde quer chegar como jogador de futebol?

Quero ser o melhor do mundo.

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De Victor Hugo a Ariano Suassuna

abril 28, 2010 2 comentários

Não é nenhuma novidade dizer que a informação nunca esteve tão disponível como atualmente. À qualquer hora podemos acessar a internet através de diversos dispositivos eletrônicos e obter a resposta a qualquer dúvida que temos, seja o nome da capital da Croácia ou o PIB da Nigéria. Mas isso é bem recente, a quinze anos atrás a realidade era bem diferente.

E há 150 anos? Naquela época os índices de analfabetismo eram muito maiores que os atuais e, assim sendo, mesmo a maior facilidade de acesso a livros (resultado do advento da prensa móvel, invenção do século XV, de Gutenberg) não era garantia de conhecimento, o que adianta ter se não se sabe usar? É de se imaginar, portanto, que a ignorância popular era bem maior, que a falta de conhecimento do povo tornava os “detentores do saber” muito mais facilmente controlá-los. Mas não é bem assim, vejamos o um excerto abaixo, de um livro escrito no século XIX, há quase 150 anos, e as seguintes notas:

“Diga-se de passagem, não há nada mais odioso que o sucesso. Sua quase semelhança com o merecimento engana muito os homens. Para a multidão, êxito é o mesmo que superioridade. O sucesso, sósia do talento. Infelizmente tem um ingênuo que nele crê facilmente: a história. Somente Juvenal e Tácito se puseram a salvo dessa credulidade. Hoje em dia, uma filosofia quase oficial entrou em intimidade com a história, vestindo-lhe a libré e fazendo-lhe o serviço de porteiro. Ser bem-sucedido: eis a teoria. Progresso supõe capacidade. Ganhar na loteria: eis o máximo da habilidade. Quem triunfa é benquisto. Tudo está em nascer com a boa estrela. Tenham sorte, que o resto virá depois; sejam felizes, que o mundo tê-los-á como grandes. Fora cinco ou seis exceções notáveis que constituem o brilho de todo um século, a admiração contemporânea é simples miopia. O que é simplesmente dourado passa por ouro puro[1]. Ser o primeiro a chegar não constitui honra, a não ser que se chegue a ser alguma coisa. É o vulgar e velho Narciso adorando a própria imagem, aplaudindo a vulgaridade[2]. Essas qualidades excepcionais que formaram Moisés, Ésquilo, Dante, Michelangelo ou Napoleão, a plebe confere de repente, por aclamação, quem quer que consiga alguma coisa, seja lá o que for[3]. Que um notário se torne deputado[4], que um pseudo-Corneille escreva Tirídates[5]; que um eunuco venha a possuir um harém; que um Prudhomme ganhe acidentalmente a maior batalha de uma época; que um boticário invente solas de papelão para o exército de Sambre-et-Meuse e ganhe, com esse papel vendido como couro, quatrocentos mil francos de renda[6]; que um bufarinheiro, casando-se com a usura, a faça dar à luz de sete a oito milhões dos quais ele é o pai e ela a mãe; que um pregador se torne bispo porque fala fanhoso; que o mordomo de algum palácio saia dele tão rico que o façam ministro das finanças, não importa:os homens chamam isso Gênio, do mesmo modo que chamam Beleza à figura do Mousqueton e de Majestade à estátua de Cláudio. Eles confundem com as constelações do espaço as estrelas que os pés dos patos deixam impressas no lodaçal.

Os Miseráveis, Victor Hugo

[1] Isso me lembra um certo reality show… Não o ganhador do último, especificamente, mas de todos, que invadem a mídia como se tivessem algo a oferecer.

[2] O número atual de cirurgias plásticas no Brasil ultrapassa a casa de 700 mil por ano.

[3] Quantos será que já ouviram falar de Charles Kao, Venkatraman Ramakrishnan e Jack Szostak? Vencedores dos últimos prêmios Nobel (física, química e fisiologia/medicina) suas descobertas levaram a uma modificação direta na vida de vários seres humanos do que muitas celebridades.

[4] Clodovil (foi tarde), Frank Aguiar, dentre muitos outros. Neste ano teremos os candidatos Romário e Gabriela Leite (ex-prostituta, fundadora da “daspu”)

[5] Paulo Coelho é um dos escritores que mais vende livros no mundo, livros de astrologia, numerologia e outras pseudo-ciências vendem aos montes. À pouco, vi na livraria uma biografia “não autorizada” da escritora da saga crepúsculo. O que dizer então de José Sarney, “digníssimo” ex-presidente, na Academia Brasileira de Letras? Quer pior? O que dizer de Fernando Collor na Academia Alagoana de Letras?

[6] E o que dizer da moda atual? Já tem gente fazendo sapato com fezes de elefante (veja aqui). Calças custando mais de R$ 2.000,00 na Daslu, loja essa cuja dona foi condenada a mais de 90 anos de prisão (veja aqui) e hoje continua solta; loja essa na qual “celebridades” frequentam (me dói profundamente não usar o abolido trema aqui) apenas por status e self-marketing. Aliás, “celebridades” essas que assim se tornaram utilizando dos mesmos “atalhos” que Victor Hugo cita nesse parágrafo.

Infelizmente, juntamente com o mar de oportunidades que temos com toda a informação que nos é disposta com a rapidez de um clique no mouse, outro mar de futilidade é disposto em muito maior quantidade, e grande parte da mídia, por falta de competência (além de uma certa preguiça) de fazer coisas interessantes, boas, apela para o sensacionalismo barato e fácil em busca da audiência das pessoas que consomem freneticamente o fútil. Basta ver Datena mostrando mortos no chão, miseráveis (tão ou mais que os do livro de Victor Hugo) chorando a perda da miséria que possuíam, entrevista com assassinos e estupradores ao serem presos etc.; Márcia levando as brigas de esquina (ou mesmo de dentro de casa) dos bairros de classe baixa para o palco e transmitindo ao vivo para todo o Brasil; Sônia Abrão vasculhando “celebridades” em dificuldades, sejam elas financeiras ou de saúde, para mostrar o problema em seu programa, e também caçando mortos para fazer “homenagens”. E de madrugada? Uma enxurrada de canais exibindo os praticantes da arte de tornar-se milionário com o dinheiro dos pobres, na forma de “ajuda pentecostal”, na forma de igrejas com nomes bizarros do tipo “Igreja Mundial do Poder de Deus”… parece nome de golpe dos Cavaleiros do Zodíaco.

A mídia, por acordos financeiros obviamente, também contribui com a indústria fonográfica ao popularizar os ruídos que pessoas sem talento produzem em forma de música. Os donos das grandes gravadoras são os alquimistas do passado, com a diferença de serem bem sucedidos: os antigos nunca conseguiram transformar chumbo em ouro, já os modernos transformam merda em ca$h. Todos sabem que não é difícil comprovar cientificamente essa afirmação. O primeiro lugar das paradas de sucesso, atualmente, é Stefani Joanne Angelina Germanotta, mais conhecida por Lady Gaga. Antes dela surgiram outras tantas futilidades musicais “pop”, ainda atuantes, como Britney Spears e Beyonce. Ela é uma síntese do que Victor Hugo fala nesse excerto pois o mundo todo a coloca num pedestal como se fosse a entidade mais fantástica que já caminhou por seus pés na em nossa crosta terrestre, que inovou, mas… o que ela é? Stefani é nada mais que uma oportunista que entendeu toda a futilidade da música pop mundial e forjou uma personagem utilizando-se das características mais fúteis de suas antecessoras.

Vejamos, Spears popularizou um padrão que une o clipe à música, sendo o vídeo sempre uma mistura de sensualidade com danças que exigem uma certa forma física e a melodia sempre se utilizando de vozes tremidas e modificadas para esconder a insuficiência vocal da cantora, terminando assim por vulgarizar, em qualquer sentido da palavra, o pop. Toda essa pantomima deu certo, sendo que todas que surgiram à partir dela, como Beyonce, seguiram a fórmula. O sucesso, porém, como é usual quando advém às cabeças imaturas e fracas, corrompeu a jovem, que se afundou nas drogas, raspou a cabeça, bateu em “repórteres” (paparazzi). Chegamos então na falada inovação de Lady Gaga, ela percebeu que os consumidores desse tipo de música precisam de algo ridículo, fútil, então ela se ridicularizou, se “futilizou”, para caber no esquema. Só que ela o fez sendo ainda mais que suas predecessoras, porque ela fingiu assim ser, ou seja, fingindo-se propositadamente fútil ela se tornou fútil por querer parecer fútil para fazer sucesso, sendo tão eficiente nisso que até essa frase que eu escrevi soa ridícula. Mais que uma estratégia foi uma necessidade, visto que ela jamais conseguiria chamar a atenção pela sua beleza, originalidade ou sensualidade, adjetivos dos quais ela não possui. Foi assim que ela reinventou o conceito de pendurar uma melancia no pescoço para aparecer, e deu certo.

Sem perder o foco, mas ainda falando de música, que culminará na conclusão dessa postagem, vejamos algo que é disfarçado de cultura, mas é uma das coisas mais pobres em concepção artística, conseguindo ser muito pior que Lady Gaga: a banda Calypso. Nem preciso falar sobre a nula qualidade de suas melodias e a péssima voz, sem contar na incapacidade de cantar. Longe de ser bonita, Joelma se uniu a seu guitarrista, Chimbinha, longe de ser bom, e fez sucesso num país longe de ser crítico. Mais que sucesso, a banda conseguiu defensores fervorosos, que envolveu um dos maiores escritores brasileiros contemporâneos: Ariano Suassuna, autor do popularíssmo “Auto da Compadecida” que retrata o povo nordestino em situações memoráveis com personagens formidáveis, como João Grilo, um sujeito esperto, aproveitador, que vive arranjando confusões, e Chicó (que meu amigo Gueza tanto admira), amigo covarde e mentiroso de João, além de outras obras, como “O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta” e “O Rico Avarento”. Tomando conhecimento das músicas, o paraibano de João Pessoa falou o seguinte:

Falou o óbvio, sim, mas falou porque ninguém fala pra não se comprometer. Acontece que Ariano está acima desse problema, ele não precisa se preocupar com qualquer repercussão advinda dessa declaração, pois tem uma posição consolidada, sendo um dos maiores ícones da cultura brasileira. Para se ter uma ideia da realidade atual (pelo menos do povo brasileiro) do excerto dos Miseráveis, exponho aqui trechos de alguns comentários extraídos do youtube relativos ao último vídeo que eu inseri:

“esse velho merece é morrer com a boca cheia de formiga

ele que nunca vai conseguir receber uma plateia igual os dvds da banda calypo nem xega a metade do publico da calypsooo”

“velho idiota vai tomar conta da tua vida

tu ta velho demais vais se tratar deixa o sucesso dos outros

MESTRE INVEJA

sua beste

preconceituoso

nazista

burgues”

“maior flta de respeito que eu já vi, por ele ser tão importante mesmo, é que é deprimente essa atitude, de uma pessoa sem cultura, sem educação”

Além da falta de educação, senso crítico e visão de mundo dos manifestantes, vimos aqui a realidade do texto de Victor Hugo, há 150 anos atrás, sendo aplicada na realidade atual, onde o que importa é o sucesso, é a fama, e então essa fama é convertida em habilidade, em capacidade, em competência, em genialidade, a ponto do verdadeiro gênio, o verdadeiro habilidoso, o verdadeiro capaz, o verdadeiro competente, ser inferiorizado ao que mais inferior é pela população. Eles confundem com as constelações do espaço as estrelas que os pés dos patos deixam impressas no lodaçal.

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