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A Ciência Prevalece

junho 20, 2011 Deixe um comentário

“Enorme é o poder da distorção constante; porém, a história da ciência mostra que, felizmente, este poder não resiste muito tempo” disse Darwin acerca dos ataques pseudocientíficos que sua Seleção Natural injustamente sofria (e, quem diria, sofre até hoje). Mas ele era uma pessoa à frente de seu tempo e sabia que nenhuma mentira é forte o suficiente quando enfrentada por fatos indiscutíveis.

A evolução sofreu e ainda sofre muito com os mais diversos tipos de ignorância existentes, mas esses ataques ignóbeis não lhe são exclusivos. Nos últimos anos, muito se discutiu sobre o aquecimento global. Apenas apresentando um panorama supérfluo, o que acontece é, em suma, que alguns cientistas, analisando os dados das medições de temperatura ao redor do globo, diziam que havia o aquecimento e outros discordavam dessa interpretação, sobretudo sobre a maneira e os locais em que essas medições tinham sido realizadas.

Além da discórdia entre os cientistas, o aquecimento global incomoda políticos, principalmente os dos Estados Unidos, onde os republicanos (em geral) são a favor do desenvolvimento em detrimento do meio ambiente, negando a existência do aquecimento global ou dizendo que o aquecimento existe mas que ele não é causado pelo homem.

Dentre os cientistas que discordavam e se mostravam céticos aos dados que indicavam o aquecimento global, estava Richard A. Muller, um astrofísico e físico de partículas, que fez duras críticas às análises. Esse foi um prato cheio para os “céticos” do clima, que se aproveitaram da voz divergente para embasar seus discursos antiecológicos.

Quando coloco céticos entre aspas é porque o termo está erroneamente empregado. Essas pessoas não são céticas de verdade, são apenas crentes que defenderão que o que acham certo mesmo que todas evidências façam o contrário. Por isso, daqui em diante passarei a chamá-los de “crentes do não-aquecimento”.

Pois bem, ao contrário dos “crentes do não-aquecimento”, Muller é um cético de verdade, e um bom cientista. Discordando dos dados, juntamente com colegas, criou um projeto para a investigação do caso. Com seus dados preliminares, os “crentes do não-aquecimento” estavam certos que teriam um homem de peso para defender a visão de que os dados anteriores estavam errados, e convidaram Muller para expor os dados preliminares de sua pesquisa. Surpreendentemente, ele declarou que, até o momento, sua pesquisa apenas confirmou os outros estudos, e que o planeta estava mesmo se aquecendo. Os “crentes do não-aquecimento” não gostaram nada do que ele disse.

E essa é a beleza e o real significado da ciência. Não importa o quanto defendemos nossas expectativas, elas precisam ser testadas e o resultado não pode ser negado. Muller duvidou dos dados, testou por si só, excluindo os equívocos que havia encontrado nos aferimentos anteriores. Chegou ao resultado que era contrário do que ele talvez imaginasse, e não defendeu o contrário. E assim a ciência prevalece.

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Categorias:ciência, Mundo

Bruxo Chik Jeitoso prevê morte de CQC

junho 13, 2011 2 comentários

Isso é um retrato do que eu venho escrevendo há anos nesse blog, agora me aparece um “bruxo” chamado CHIK JEITOSO, prevendo morte de um integrante do CQC. Como se não bastasse tanta coisa ridícula ocorrendo no Brasil….

Esse vídeo cai como uma luva no que eu escrevi na minha penúltima postagem.

A bizarrice ainda se diz guru, mestre e místico com clientes em mais de 107 países… A tragédia mesmo é que tem gente que acredita e dá dinheiro pra gente desse tipo.

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Livros que Li: Os Miseráveis

Muitas pessoas tem o dom de escrever bem, uma pequena parte deles consegue publicar algum livro, uma parte menor ainda consegue sucesso com seus livros e são raríssimos os que produzem obras imortais que, independente do tempo, ainda causarão reflexões atuais. É o caso de Homero, Aristóteles, Dostoiévski, Cervantes, Shakespeare, Dante Aliguieri, Tolstói, Camões, Proust etc.

Victor Hugo é um desses escritores gênios que atravessarão os séculos como imortais e, assim sendo, fica complicado dissertar sobre a magnum opus de um autor que é estudado massivamente por mestrandos, doutorandos, doutores das mais diversas áreas. Mas o faço com o intuito apenas de expressar minha satisfação ao término de tal obra.

A edição que eu li (mostrada na foto) é magnificamente rica, com 1280 páginas preenchidas com 816 notas de pé de página elucidativas do contexto histórico e cultural da França no século XIX, numa edição de capa dura impecável com lindas imagens entre um capítulo e outro.

Para quem não conhece a história, ela se passa na França do século XIX, entre a Batalha de Waterloo e os motins de junho de 1832. Jean Valjean é o personagem principal, um miserável, que cumpriu pena de 19 anos de serviços forçados por roubar um pão para dar a sua família. Tudo gira em torno dele, direta ou indiretamente, ou seja, tudo que o afeta ou afetará sua vida após sua libertação.

Mas a história não é SOBRE ele, mas sim sobre a MISÉRIA, as causas dela e as consequências para os que nela vivem. Através desse simples homem, mantido ignorante pela política e tornado criminoso pela sua ignorância, Victor Hugo expõe o quão castrativa é a falta de conhecimento, de oportunidade e acesso à educação. Todo enredo que envolve Jean Valjean expõe a crueldade que é a condenação à ignorância. E não apenas ele é vítima dessa perversa pena, outros personagens importantes também têm seu destino selado (negativamente) pela miséria, como é o caso de Fantine, Cosette, Éponine e Gavroche. Esse tema é um dos motivos de a obra ser tão atual, mas para falar da atualidade da obra, nada melhor que o sucinto prefácio escrito pelo próprio autor:

Enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século – a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância – não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis

Tranquilamente, o autor vai narrando e descrevendo um ambiente ricamente detalhado no qual o leitor se sente fazendo parte dele. É como estar presente na França e presencear a dura vida dos menos favorecidos, provar a incapacidade que a falta (e também o impedimento) de oportunidade causa. É incrível como, através de palavras impressas, podemos mergulhar nas lamas das ruas dos bairros pobres de Paris, sufocar na prisão do convento mais rígido da França, fugir dos inimigos mais ignorantes, provar do ciúme mais verdadeiro, penar na desgraça mais injustamente imposta.

Victor Hugo aproveita não apenas o enredo da história para dar sua opinião, como também cria capítulos específicos para falar diretamente sobre ela, sem pressa ou intenção de resumir para deixar a leitura mais fluida. Também faz capítulos longos apenas para descrição de determinados eventos, cujo detalhamento excede sua necessidade para fazer entender a história. Entre estes, podemos citar a descrição do labirinto das galerias subterrâneas do esgoto de Paris, a narrativa da Batalha de Waterloo e um que ele descreve tudo que aconteceu no ano de 1817. Mas uma história não deve se restringir apenas ao que é necessário e, num livro do porte d’Os Miseráveis, nada é dispensável.

Não me estenderei mais, se fosse comentar cada propriedade desta maravilhosa obra, eu teria que escrever o dobro das 1280 páginas. Só me resta falar que este livro é cultura, é conhecimento, é aprendizado, é romance, é prazer. Não é recomendado, é obrigatório.

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