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A Ciência Prevalece

“Enorme é o poder da distorção constante; porém, a história da ciência mostra que, felizmente, este poder não resiste muito tempo” disse Darwin acerca dos ataques pseudocientíficos que sua Seleção Natural injustamente sofria (e, quem diria, sofre até hoje). Mas ele era uma pessoa à frente de seu tempo e sabia que nenhuma mentira é forte o suficiente quando enfrentada por fatos indiscutíveis.

A evolução sofreu e ainda sofre muito com os mais diversos tipos de ignorância existentes, mas esses ataques ignóbeis não lhe são exclusivos. Nos últimos anos, muito se discutiu sobre o aquecimento global. Apenas apresentando um panorama supérfluo, o que acontece é, em suma, que alguns cientistas, analisando os dados das medições de temperatura ao redor do globo, diziam que havia o aquecimento e outros discordavam dessa interpretação, sobretudo sobre a maneira e os locais em que essas medições tinham sido realizadas.

Além da discórdia entre os cientistas, o aquecimento global incomoda políticos, principalmente os dos Estados Unidos, onde os republicanos (em geral) são a favor do desenvolvimento em detrimento do meio ambiente, negando a existência do aquecimento global ou dizendo que o aquecimento existe mas que ele não é causado pelo homem.

Dentre os cientistas que discordavam e se mostravam céticos aos dados que indicavam o aquecimento global, estava Richard A. Muller, um astrofísico e físico de partículas, que fez duras críticas às análises. Esse foi um prato cheio para os “céticos” do clima, que se aproveitaram da voz divergente para embasar seus discursos antiecológicos.

Quando coloco céticos entre aspas é porque o termo está erroneamente empregado. Essas pessoas não são céticas de verdade, são apenas crentes que defenderão que o que acham certo mesmo que todas evidências façam o contrário. Por isso, daqui em diante passarei a chamá-los de “crentes do não-aquecimento”.

Pois bem, ao contrário dos “crentes do não-aquecimento”, Muller é um cético de verdade, e um bom cientista. Discordando dos dados, juntamente com colegas, criou um projeto para a investigação do caso. Com seus dados preliminares, os “crentes do não-aquecimento” estavam certos que teriam um homem de peso para defender a visão de que os dados anteriores estavam errados, e convidaram Muller para expor os dados preliminares de sua pesquisa. Surpreendentemente, ele declarou que, até o momento, sua pesquisa apenas confirmou os outros estudos, e que o planeta estava mesmo se aquecendo. Os “crentes do não-aquecimento” não gostaram nada do que ele disse.

E essa é a beleza e o real significado da ciência. Não importa o quanto defendemos nossas expectativas, elas precisam ser testadas e o resultado não pode ser negado. Muller duvidou dos dados, testou por si só, excluindo os equívocos que havia encontrado nos aferimentos anteriores. Chegou ao resultado que era contrário do que ele talvez imaginasse, e não defendeu o contrário. E assim a ciência prevalece.

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