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Protestos contra a retirada dos crucifixos no Rio Grande do Sul

março 7, 2012 2 comentários

Como bastante gente sabe, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, ordenou retirada dos crucifixos e símbolos religiosos nos espaços públicos dos prédios da Justiça gaúcha, depois de julgar um pedido feito pela Liga Brasileira de Lésbicas e de outras entidades sociais. Como era de se esperar, houve muita reclamação do lado dos cristãos. Dentre os mais incisivos e inflamados protestos, encontra-se o de Reinaldo Azevedo, que discutiremos nesse post.

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/num-momento-em-que-o-cristianismo-e-a-religiao-mais-perseguida-do-mundo-tj-do-rs-decide-cassar-e-cacar-os-crucifixos-os-cristaos-podem-se-preparar-vem-uma-onda-por-ai-com-o-crucifixo-tj-expulsa-t/#.T1enKYISzBQ.facebook

De praxe, tudo é bem tendencioso e não é difícil encontrar mentiras absurdas no decorrer do texto. Logo no título, por exemplo, o autor já profere um absurdo, dizendo que hoje o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo… Muito pelo contrário, amigo, muito pelo contrário. Onde já se viu dizer que uma crença é perseguida quando ela consegue fazer que em alguns estados do país mais rico e poderoso do mundo seja ensinado o criacionismo nas aulas de ciências? Tentou-se fazer isso também no Rio de Janeiro! Como dizer que há perseguição num momento em que a chamada “bancada evangélica” desbrava os meandros do senado e da câmera federal, propondo leis absurdas ao ponto de querer tornar anticonstitucional uma lei (PEC 99/11) pelo simples fato de ela não estar de acordo com um grupo seleto de doutrinas religiosas? (http://www.eleicoeshoje.com.br/estado-laico-pec-99-11/#axzz1eACUvj3r). Como há perseguição num momento em que, pasmemos nós, um juiz de direito acata um relato de uma CARTA PSICOGRAFADA para INOCENTAR um réu!?!?!?!?

Azevedo procura, no decorrer de seu texto, a todo momento, incutir que essa decisão não é de um estado laico, mas sim de um estado anti-religião ou ateu, sempre adicionando o fator perseguição ao cristianismo, e falar que não é uma questão de fé, mas sim da raiz da cultura nacional. Concordo que há uma cultura cristã que responsável por vários aspectos na formação da nossa sociedade, mas acontece que a partir do momento em que O ESTADO expõe um símbolo de uma religião, seja ela qual for, ele está, necessariamente, professando-a. Não importa o quão nobre sejam os motivos/razões/intenções, não é atitude de um estado laico. A não ostentação de símbolos religiosos não fere o direito de ninguém.

Outro absurdo é que a democracia moderna nasceu do cristianismo… Isso parece até piada! Os reinados absolutistas europeus eram todos cristãos! Teve de haver revoluções populares para que se instaurasse a democracia! Democracia esta datada de um período anterior ao cristianismo.

Azevedo também recorre ao reductio ad absurdum para fazer valer seu ponto de vista. Reconheço a validade desse recurso lógico, mas no texto está mal utilizado, formando uma falácia. O fato de haver influência cristã na formação do nosso povo não significa que o estado deva professar essa fé da maioria dos homens que construíram nossa nação. Os nomes das cidades não são criados a cada dia, mas sim são heranças dessa cultura, assim como a Catedral de Brasília e o Cristo Redentor. Entretanto,  pendurar crucifixos nas casas da justiça é um ato diário DO ESTADO de professar a fé cristã.

Isso é sim proteção a laicidade do estado. Perseguição seria, meu amigo, se a ordem fosse proibir os funcionários públicos de utilizarem símbolos religiosos. O estado laico visa GARANTIR a liberdade religiosa e, por isso mesmo, NÃO DEVE professar nenhum tipo de fé, acolhendo todas as culturas e religiões, além de NÃO INTERFERIR nas religiões e NÃO PERMITIR SER INTERFERIDO pelas religiões.

Interessante é que na segunda parte do texto o autor começa a atacar o estado laico, “esquecendo-se” de que anteriormente não era o estado laico o problema, mas sim o que ele considera uma “perseguição” aos cristãos. Ele procura ligar o secularismo aos regimes ditatoriais soviético, cubano, chinês e norte-coreano, mas novamente tem um lapso de memória ao deixar de lado os dois mais poderosos e ricos países da Europa: a França e a Alemanha, além de esquecer os Estados Unidos e o Canadá. O problema das ditaduras apresentadas são o comunismo e o fato de ser uma ditadura, não o secularismo.

Reinaldo Azevedo ainda tem o disparate de citar o cristão que foi condenado à morte no Irã por mudar de crença! Qual tipo de estado o do Irã amigo? Laico ou teocrático? Não entendo o porquê de tamanha reação cristã, a retirada dos crucifixos não muda nada na fé deles.

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Categorias:Política