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Archive for the ‘ciência’ Category

Livros que Li: Uncommon Sense – The Heretical Nature of Science – Alan Cromer

outubro 25, 2012 Deixe um comentário

O pensamento tradicional diz que a ciência é uma evolução inexorável do desenvolvimento humano, uma consequência de nossa natureza. Alan Cromer, em seu livro, discorda dessa visão e argumenta que a ciência foi uma conquista da humanidade que só pode ocorrer devido a fatores muito especiais e que, provavelmente, ela jamais teria surgido se diversos fatores específicos não estivessem presentes.

Seu primeiro capítulo é destinado a explicar os aspectos da ciência. O principal ponto é que o conhecimento científico é cumulativo e pleno. Novas descobertas não invalidam o conhecimento anterior, mas sim o complementa. É utilizada como exemplo a relatividade, que não invalida a física clássica newtoniana, mas sim explica como a física funciona em diferentes escalas. Apesar de o avanço aumentar nossa capacidade de realizar proezas, a compreensão de determinados assuntos limitam o possível, ou seja, nos faz perceber o quão longe poderemos chegar e de onde não poderemos passar. O autor ressalta que os três aspectos da ciência por ele listado (o fato de ser recente, a integridade de alguns de seus conhecimentos fundamentais e sua harmonia intrínseca) nos permitiu “pela primeira vez ter o conhecimento verdadeiro da natureza da existência e nosso lugar nela”.

Segundo Cromer, a ciência é a crença herética de que a verdade sobre a real natureza das coisas é para ser encontrada pelo estudo delas mesmas. Também é proposta a restrição do termo ciência a ciência moderna, pois ela é um sistema de pensamento muito diferente dos anteriores, como a astrologia e a necromancia. A ciência é a rejeição do pensamento intuitivo e a adoção da ideia que o conhecimento só pode ser adquirido através da investigação objetiva.

 Aristóteles

                O autor utiliza o trabalho de Jean Piaget para basear sua ideia de que o desenvolvimento de capacidades racionais exige uma reunião cumulativa de fatores. Portanto, as capacidades racionais e críticas devem ser cultivadas e fomentadas. Eles necessitam de um ambiente específico que, segundo ele, apenas os gregos foram capazes de desenvolver. O resultado é que as outras sociedades, mesmo que tenham produzido determinados avanços tecnológicos além dos gregos, não poderiam romper o egocentrismo tradicional na objetividade científica.

                O egocentrismo, segundo Piaget, é o principal obstáculo do crescimento mental e, para Cromer, este foi o principal obstáculo para o desenvolvimento da ciência. O egocentrismo dá origem ao animismo e, até que o ser humano não conseguisse eliminar ambos, o desenvolvimento do pensamento objetivo não seria possível. A ciência deve ser livre do sobrenatural.

Peanuts: Exemplo do egocentrismo de Piaget

                O autor destina um capítulo do livro explicando a evolução humana, distinguindo-nos dos animais e para dizer que nossa habilidade de construir ferramentas é inata, mas não a capacidade de pensar objetivamente. Outras civilizações conseguiram avanço tecnológico, mas nenhuma delas constituiu uma abordagem holística e racional-científica comparável a formas modernas de pensamento científico. Diz também que há limites culturais que impediram o surgimento da ciência. A religião sempre teve muita influência na cultura. A Bíblia, argumenta, é o exemplo de representação de uma cultura de pensamento egocêntrico, já a Ilíada e a Odisseia são exemplos de uma cultura de pensamento racional. Para o autor, os seguintes fatores culturais permitiram o pensamento científico na Grécia antiga:

1-      Assembleia

2-      A economia marítima

3-      Um mundo de língua grega

4-      Uma classe mercante independente

5-      A Ilíada e a Odisseia

6-      Uma literatura religiosa não dominada por sacerdotes

7-      Persistência desses fatores por mais de mil anos.

Ele argumenta que, apesar dessas características, o surgimento do racionalismo e da ciência não é inevitável, pois depende também de condições materiais e predileções culturais criadas pelo pensamento e ação humanas. Tudo isso, então, levaria ao desenvolvimento da investigação científica. Apesar de haver argumentos concretos e históricos que sustente, por exemplo, o papel da economia marítima e de um mundo de língua grega nesse desenvolvimento cultural, a explicação parece um pouco superficial. Não há explicações maiores sobre o porquê de a literatura religiosa não ser dominada pelos sacerdotes, por exemplo. Falta também uma explicação mais aprofundada sobre a assembleia, não seria ela consequência de uma característica cultural da civilização grega e, assim, não ser a assembleia em si uma das causas do pensamento objetivo e sim um resultado de uma característica intrínseca do povo heleno?

Com a invenção independente da imprensa por Guttenberg, na idade média, e a consequente diminuição do preço e aumento da facilidade de acesso aos livros, as ideias gregas foram redescobertas na Europa. Para o autor, as razões da revolução científica residem no fato da continuação da ciência grega, na existência de um governo descentralizado e cidades autônomas, no capitalismo com o surgimento das universidades e da imprensa. Dessa maneira, através de Copérnico, Galileu e Newton, a humanidade pode se desprender do egocentrismo e do animismo e tirar a Terra do centro do universo, derrubando o mundo aristotélico que perdurava havia dois mil anos.

O Universo de Ptolomeu: Terra ligeiramente deslocada
do centro e demonstrando os epiciclos que explicariam
o movimento retrógrado dos Planetas.

Cromer afirma repetidamente, durante todo seu diálogo, que o pensamento objetivo só poderia ter surgido na Grécia e em nenhum outro lugar, e que a ciência atual é uma extensão da retórica grega. Entretanto não há provas cabais que determinem definitivamente que essa asserção seja válida. Aliás, seria impossível provar que o pensamento objetivo não surgiria em outra civilização posterior à grega porque ele já existia quando essas civilizações surgiram.

Heliocentrismo: O movimento da Terra explica o aparente movimento retrógrado dos outros planetas.

São citadas a parapsicologia e a fusão a frio para alertar os perigos de escorregar-se da ciência para a pseudociência. O autor critica a visão romântica da ciência, uma história até alquímica, como a ideia de um pesquisador sozinho fazer uma grande descoberta que mudará os rumos da humanidade. Com esses exemplos ele demonstra a importância do registro para confirmação de um experimento, da possibilidade de reprodução de um trabalho e das referências bem selecionadas para a submissão de um trabalho. Há também relato de um caso onde experientes pesquisadores do CERN erraram ao selecionar dados para a confirmação de uma hipótese, tornando a amostra viciada. A ciência é feita por pessoas que sempre estão sujeitas a erros, porém é papel da ciência que todos os trabalhos sejam revistos e reproduzidos para confirma-los. O cientista não pode ter a mente aberta a ponto…

O final do livro faz fortes críticas ao projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence), visando até mesmo colocar em xeque a natureza científica do empreendimento. O cerne da crítica é que essa busca não respeita o princípio da falseabilidade, visto que, utilizando a metodologia científica, não é possível provar que algo não exista. Cromer ainda argumenta que o projeto é inútil e muito dispendioso, inclusive afirmando que o ser humano nunca conseguirá manter contato com uma civilização extraterrestre. Talvez o projeto seja mesmo um desperdício de recursos que poderiam ser aplicados de maneira mais eficiente para desenvolvimento de retorno imediato e concreto, e talvez esta seja mesmo uma busca abnóxia. Entretanto avanços tecnológicos podem surgir graças a grandes empreitadas. Segundo o autor, o ser humano está para sempre preso no planeta Terra, e jamais conseguirá explorar outro lugar habitável, argumentando que a velocidade limite do universo é a velocidade da luz. Atualmente há teorias que desafiam a máxima de Einstein, como o astrônomo português João Magueijo, que sugere que a velocidade da luz possa ser diferente em diferentes lugares do espaço. Há também especulações baseadas em novas descobertas da física que buscam por atalhos no espaço para fazer uma viagem espacial. Apesar de tudo ainda parecer bastante com ficção científica, essa imaginação fértil pode resultar em descobertas importantes e, apesar do cientista não poder ter a mente aberta a ponto de o cérebro desprender-se de sua cabeça, ele não pode a ter tão fechada a ponto de afirmar, como Lorde Kelvin, que a física já está praticamente fechada e só restam alguns detalhes a esclarecer. Cromer passa perto desta assertiva.

Radiotelescópios do projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence)

Finalizando, há uma proposta ao ensino de ciências, na qual o autor prega a instrução de professores por profissionais da ciência para aumentar-lhes o conhecimento fundamental da ciência para que possam ensiná-la de maneira mais efetiva. O autor também propõe a eliminação dos dois últimos anos do ensino médio, aumentando a carga de estudos nos outros anos, argumentando que os alunos assim se formariam com quinze anos na escola e com vinte na faculdade. Esta é uma visão totalmente política e capitalista, que tem como objetivo apenas o fornecimento de massa humana ao trabalho. Se um estudante de dezessete anos muitas vezes não tem maturidade para escolher uma profissão, é realmente difícil acreditar que um aluno de quinze irá ter. Outro problema é que esse devaneio não contempla também o aluno como ser humano, transformando-o numa máquina de estudar em meio a todos os percalços da puberdade. A fantasia planeja até eliminar as artes e os esportes da escola, ignorando completamente os estudantes que escolheriam esses caminhos como carreira para vida inteira. Essa atitude também despreza a importância cultural e econômica dessas atividades, além do efeito benéfico que podem trazer ao indivíduo emocionalmente ao dedicar-se a elas.

Concluindo, o livro mostra-se coeso em seus argumentos, sendo a visão de um cientista à ciência, e não um filósofo. O livro apresenta uma bela descrição histórica relacionada a ciência. Entretanto, há superficialidade nas análises e sua afirmação principal, apesar de não ser irrefutável, é capaz de nos fazer refletir sobre o nascimento da ciência.

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Marcelo Gleiser e o Bóson de Higgs

julho 23, 2012 Deixe um comentário

O maior divulgador científico brasileiro e um dos maiores do mundo numa entrevista didática e interessantíssima.

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Categorias:ciência, Mundo, Vídeos

Humildade – Carl Sagan

abril 19, 2012 Deixe um comentário

Dispensa apresentações… Carl Sagan, como sempre, unindo informação e beleza.

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Categorias:Astronomia, ciência, Vídeos

Criacionismo nas Escolas: Tendência Mundial?

fevereiro 6, 2012 3 comentários

Fiquei sabendo sobre esta matéria através de uma nota de repúdio publicada na página do facebook da Liga Humanista Secular, da qual sou membro. Então resolvi escrever essa postagem na esperança de que alguém que esteja procurando sobre esse mar de mentiras, venha ocasionalmente parar aqui para uma visão científica do neo-darwinismo despido de manipulações de fanáticos.

O site evangélico “verdade gospel” publicou semana passada uma notícia intitulada:

“Alerta: criacionismo nas escolas pode ser tendência mundial”
http://www.verdadegospel.com/criacionismo-nas-escolas-pode-ser-tendencia-mundial/

Como era de se esperar, a “notícia” vem recheada de preceitos e informações (ao meu ver, intencionalmente) erradas sobre o evolucionismo, na peregrinação crente de deseducar os bem informados e manter ignorantes científicos seus fiéis. Com o intuito de esclarecer essas mentiras, comentarei a seguir cada uma delas, separadamente.

“Esse processo [evolução] significa que os mais fortes sobrevivem e com a combinação de seus genes geram filhos mais fortes. Assim, cada geração é mais forte que a anterior, e os fracos da espécie são extintos.”

Esse é um erro muito comum na compreensão da evolução neo-darwinista. Uma palavra fundamental na definição do evolucionismo aqui foi trocada (na minha opinião, de forma intencional e perniciosa). Não são os mais fortes que sobrevivem, mas sim os mais adaptados. Um bom exemplo é a extinção no final do período mesozóico, mais precisamente o final do cretáceo, em que os grandes répteis, os animais mais fortes do planeta na época, sucumbiram com o impacto de um meteoro gigantesco e com as consequências do evento, mas os pequenos mamíferos, não. Ora, os mamíferos daquela era não possuíam um centésimo da força dos grandes répteis que reinavam absolutos nosso planeta, mas eram capazes de se esconder deles, eram difíceis de caçar e precisavam de pouca quantidade de comida. Essas características mais “humildes” desses pequenos roedores lhes garantiram a sobrevivência ante às adversidades climáticas ocasionadas pela catástrofe. O mais fraco e menor teve mais sucesso que o mais forte e maior, pois era mais adaptado para sobreviver naquele cenário.

“Muitos ligam o ensino deste pensamento a conceitos de ateísmo, segundo o Urban Christian News.”

Aqui encontramos uma afirmação genérica sem qualquer embasamento. O correto seria ao menos citar uma pesquisa que demonstrasse o fato alegado. O ateísmo, como bem sabemos, nada tem a ver com o evolucionismo, mas sim na descrença em um ou mais deuses. Mas, como os evangélicos são cegos (alguns intencionalmente?) à essa razão, e como, em geral, demonizam o ateu, eles forçam a ligação de uma coisa a outra para demonizar tudo, fazendo com que seus fiéis rejeitem ambos.

“O norte-americano republicano Jerry Bergevin, por exemplo, associa o ensino da teoria da evolução às atrocidades de Hitler e à falta de respeito aos direitos humanos em países como a União Soviética, Cuba, os nazistas e a China atual.”

Essa acusação é tão batida e descabida que eu nem deveria me designar a responder, mas como essa é uma postagem de esclarecimento, eu vou repetir o que é sempre dito. Primeiro que, para fazer essas afirmações, é evocado o nome de um ninguém que não é nada, apenas republicano, como se isso desse um selo de qualidade a alguém. Seguindo…

Teoria da Evolução e as atrocidades de Hitler: o que Hitler praticou foi a eugenia, ele acreditava que a então chamada “raça ariana” era superior e queria mantê-la “pura”, impedindo que os cidadão alemãos tivessem descendentes mestiços, seja com judeus, negros ou deficientes mentais. Isso tem muito menos a ver com ciência do que com crença, pois era uma crença de que os alemães eram superiores. Além do mais, seu objetivo não era fazer com que houvesse uma evolução da raça ariana, mas sim “evitar sua degeneração” com “cruzamentos impróprios”, a raça ariana já era considerada “mais evoluída”. Inclusive, basta entender corretamente a evolução e um pouquinho de genética para saber que a miscigenação é benéfica, dois bom exemplos é a incidência muito maior da Síndrome de Bloom em judeus Ashkenazi (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10464606) e da doença de Tay-Sachs (http://www.mazornet.com/genetics/tay-sachs.htm) nos mesmos, devido a casamentos internos, comuns nesta cultura. E Hitler era cristão, não ateu.

Os países comunistas desrespeitam os direitos humanos não por causa da seleção natural (isso é um absurdo!), mas sim pela sede de poder dos governantes que levam ao extremo e interpretam mal (intencionalmente) a filosofia comunista. Interessante que o texto acusa o que não há pra se acusar e “omite” a falta de respeito aos direitos humanos nos países regidos unicamente por uma religião, como é o caso dos países árabes. O texto também omite o fato de países com maior número relativo de descrentes serem os melhores para se viver (http://bulevoador.haaan.com/2011/04/22175/)(http://ex-cristao.blogspot.com/2007/09/causas-sociais-do-atesmo.html)

Esse início do artigo foi apenas uma introdução para que o leitor já ligue diretamente o ateísmo a uma coisa ruim, o ateísmo ao evolucionismo e, consequentemente, o evolucionismo a uma coisa ruim. Vejamos o que vem em seguida:

“Segundo sua declaração à publicação Concord Monitor, a ideia evolucionista ‘é uma visão mundo que não contempla Deus. O ateísmo tem sido tentado em várias sociedades e tem induzido a crimes de desrespeito aos direitos dos cidadãos.'”

Fala que a idea evolucionista não contempla Deus… Mas não menciona que a ICAR, a maior igreja cristã do mundo, aceita o evolucionismo, e isso não abala a fé de seus fiéis. O evolucionismo nada tem a ver com o ateísmo, ele simplesmente explica como as espécies evoluíram, isso é ciência.

Depois ele manipula o discurso, e já não fala em ensino do evolucionismo, mas sim em tentativas de induzir sociedades ao ateísmo! E o ateísmo levando a crimes, como se todos criminosos fossem ateus. Estudos já mostraram que isso é uma falácia, aqui colocada apenas para demonizar o ateísmo (http://ex-cristao.blogspot.com/2010/08/criminalidade-e-o-fator-deus-no-coracao.html).

Também fala em desrespeito aos cidadãos, quando são religiosos que, muitas vezes, querem tornar suas crenças em leis para que todos, quer compartilhem ou não de suas crenças, façam e sigam exatamente o que eles acreditam ser o correto. Isso sim é desrespeito. Um bom exemplo é a Arábia Saudita, país onde a apostasia pode ser punida com a morte.

Chega a vez do Brasil:

“No território brasileiro, onde o evolucionismo é ensinado em larga escala nas escolas, o criacionismo já está crescendo e ocupando um espaço maior nos livros didáticos.”

Foge do meu conhecimento esse dado. Até porque ele foi inventado. O criacionismo não pode ser ensinado nos livros didáticos, até porque criacionismo não é ciência (https://worldevolution.wordpress.com/2009/11/24/criacionismo-nao-e-ciencia/)

“as igrejas precisam promover mais encontros e eventos para debater o assunto e dissipar os mitos em torno tanto do evolucionismo quanto do criacionismo”

As igrejas? Está claro, nesse curto artigo, que a igreja não tem capacidade de educar cientificamente quem quer que seja. O evolucionismo é, e deve ser, ensinado na escola, o criacionismo é fé, e nada tem a ver com educação.

“Para o reverendo, os jovens cristãos muitas vezes não têm fundamentos sólidos para responder aos ataques de ateus e evolucionistas nas salas de aula e principalmente nas universidades.’Não é de admirar que muitos jovens evangélicos percam a fé quando entram na universidade, onde são confrontados com uma visão de mundo evolucionista, naturalista e ateia’, diz.”

Ataques de ateus e evolucionistas, como se fossemos perversos destruidores de fé. Se jovens perdem a fé por conhecerem o evolucionismo, isso não significa que o evolucionismo não exista, mas sim que esse tipo de fé tem bases tão fracas que é capaz de desmoronar por uma simples constatação científica real.

“Um dos poucos argumentos que unem fé e ciência é a teoria do ‘design inteligente’, que afirma a existência de uma ‘mente inteligente’ por trás de cada aspecto da vida, particularmente nas informações contidas nas moléculas de DNA das células.”

Refutei o “design inteligente” AQUI também.

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Esclarece bastante coisa.

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Neil deGrasse Tyson e paixão pela ciência

outubro 24, 2011 Deixe um comentário

Figura sempre presente em documentários sobre o universo, o astrofísico Neil deGrasse Tyson é um apaixonado pela ciência, e um dos maiores divulgadores científicos da atualiadade. Autor de diversas publicações com o intuito de despertar o interesse na ciência em pessoas leigas, é um dos promotores da alfabetização científica.

Eis um vídeo seu que deve ser assitido por todos:

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Lampejos de um Gênio

julho 5, 2011 1 comentário

Nesse vídeo de 1988, Isaac Asimov fala sobre o impacto que a internet causaria no futuro, na vida das pessoas. Aí vemos a singular qualidade de enxergar à frente que só mesmo os gênios possuem.

Para quem não conhece, Asimov foi escritoR de ficção e divulgação científica, em sua vasta obra há títulos bastante conhecidos do grande público, devido aos filmes que renderam: “O Homem Bicentenário”, “Eu, robô” e “Gandahar”. Há planos para a filmagem da trilogia “Fundação”.

(para legendas, basta clicar em CC no player)

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A Ciência Prevalece

junho 20, 2011 Deixe um comentário

“Enorme é o poder da distorção constante; porém, a história da ciência mostra que, felizmente, este poder não resiste muito tempo” disse Darwin acerca dos ataques pseudocientíficos que sua Seleção Natural injustamente sofria (e, quem diria, sofre até hoje). Mas ele era uma pessoa à frente de seu tempo e sabia que nenhuma mentira é forte o suficiente quando enfrentada por fatos indiscutíveis.

A evolução sofreu e ainda sofre muito com os mais diversos tipos de ignorância existentes, mas esses ataques ignóbeis não lhe são exclusivos. Nos últimos anos, muito se discutiu sobre o aquecimento global. Apenas apresentando um panorama supérfluo, o que acontece é, em suma, que alguns cientistas, analisando os dados das medições de temperatura ao redor do globo, diziam que havia o aquecimento e outros discordavam dessa interpretação, sobretudo sobre a maneira e os locais em que essas medições tinham sido realizadas.

Além da discórdia entre os cientistas, o aquecimento global incomoda políticos, principalmente os dos Estados Unidos, onde os republicanos (em geral) são a favor do desenvolvimento em detrimento do meio ambiente, negando a existência do aquecimento global ou dizendo que o aquecimento existe mas que ele não é causado pelo homem.

Dentre os cientistas que discordavam e se mostravam céticos aos dados que indicavam o aquecimento global, estava Richard A. Muller, um astrofísico e físico de partículas, que fez duras críticas às análises. Esse foi um prato cheio para os “céticos” do clima, que se aproveitaram da voz divergente para embasar seus discursos antiecológicos.

Quando coloco céticos entre aspas é porque o termo está erroneamente empregado. Essas pessoas não são céticas de verdade, são apenas crentes que defenderão que o que acham certo mesmo que todas evidências façam o contrário. Por isso, daqui em diante passarei a chamá-los de “crentes do não-aquecimento”.

Pois bem, ao contrário dos “crentes do não-aquecimento”, Muller é um cético de verdade, e um bom cientista. Discordando dos dados, juntamente com colegas, criou um projeto para a investigação do caso. Com seus dados preliminares, os “crentes do não-aquecimento” estavam certos que teriam um homem de peso para defender a visão de que os dados anteriores estavam errados, e convidaram Muller para expor os dados preliminares de sua pesquisa. Surpreendentemente, ele declarou que, até o momento, sua pesquisa apenas confirmou os outros estudos, e que o planeta estava mesmo se aquecendo. Os “crentes do não-aquecimento” não gostaram nada do que ele disse.

E essa é a beleza e o real significado da ciência. Não importa o quanto defendemos nossas expectativas, elas precisam ser testadas e o resultado não pode ser negado. Muller duvidou dos dados, testou por si só, excluindo os equívocos que havia encontrado nos aferimentos anteriores. Chegou ao resultado que era contrário do que ele talvez imaginasse, e não defendeu o contrário. E assim a ciência prevalece.

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