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Livros que Li: Ascensão e Queda do Terceiro Reich

dezembro 18, 2012 7 comentários

Acabei de ler as últimas linhas do livro Ascensão e Queda do Terceiro Reich, escrito por William Lawrence Shirer, um jornalista estadunidense caolho que foi testemunha ocular (pense o quão irônico é este fato) da ascensão de Hitler ao poder até o começo da II Guerra, em 1940.

O livro, aqui no Brasil, é editado pela Agir, em duas edições: “Triunfo e Consolidação” e “O Começo do Fim”. O primeiro trata de toda a vida de Hitler, da situação econômica, política e social da Alemanha pós primeira guerra, dos motivos do surgimento do nazismo, bem como sua filosofia, e, principalmente, da chegada de Hitler ao poder e termina com o início da II Guerra, em 1939. O segundo trata de todo período de guerra. Achei as edições caras (R$93,00 cada), apesar de o material ser de boa qualidade e do bom e durável acabamento, além da capa dura. A tradução é bem feita, mas há alguns momentos, principalmente em algumas citações, que uma sentença fica totalmente ininteligível, mas não sei se isso se deve à tradução ou se é uma falha original. Há também alguns pequenos erros de digitação espalhados pelo livro, mas nada que comprometa.

III Reich 1

Como o autor vivia na Alemanha durante todos os anos que se passa o primeiro volume, essa parte se encontra recheada de detalhes, incluindo algumas descrições presenciadas pessoalmente e suas impressões das reações do povo e de pessoas importantes envolvidas, inclusive de Hitler. Para se ter uma ideia, Shirer conversou pessoalmente com o meio-irmão do ditador nazista, assistiu a diversos discursos do Führer, escutou as emissões via rádio originais das proclamações feitas em rede nacional, inclusive da declaração de guerra. Essa primeira parte faz um relato minucioso de tudo que se passou.

Já o segundo volume trata as coisas de uma maneira mais distante, muito provavelmente devido à mudança do autor para os Estados Unidos. O autor já não tem tantas informações para dar como tinha nos outros anos, apesar de ter realmente muitos dados, ele não os possui em tanta abundância como antes. Achei também que a guerra foi tratada muito como plano de fundo, e não como personagem principal. O principal mesmo aqui é a política do Terceiro Reich e o modo como se conduziu a guerra. As batalhas são relatadas superficialmente. O famoso dia D é apenas citado e o desembarque na Normandia tem míseras linhas, sem destaque. Talvez essa tenha sido a intenção original do autor, que, entretanto, relatou minuciosamente todos engenhosos planos arquitetados pelos próprios nazistas para matar Hitler. É também dedicado todo um capítulo para descrição de algumas das barbáries praticadas pelas SS, relatando os horrores da chamada “Nova Ordem”. A leitura termina com a queda do Terceiro Reich, com um pequeno epílogo que trata do destino dos principais nazistas que permaneceram vivos até a capitulação.

III Reich 2
Essa admirável obra é espetacular principalmente devido ao acesso que Shirer teve aos infindáveis documentos nazistas que foram capturados, principalmente para o famoso julgamento de Nuremberg. O autor parece ter estudado pacientemente grande parte deles e procura sempre descrever tudo de maneira clara e sucinta. Há uma enorme quantidade de transliterações de diversos debates, discussões, discursos, documentos secretos etc. Há também uma extensa bibliografia. Tudo isso leva a crer na autenticidade e veracidade dos fatos expostos, além de enriquecer enormemente seu relato.

Shirer também imprime suas emoções em todas descrições das pessoas importantes que cita. Algumas vezes essas descrições são carregadas de alguns preconceitos pessoais, ligados, ao meu ver, à sua religião, sua nacionalidade e também à cultura da época, visto que o livro foi escrito entre 1955 e 1959, sendo publicado em 1960. Mas nada que macule uma obra tão extensa e tão intensamente trabalhada. Apesar de não haver uma reflexão mais profunda sobre o suceder dos fatos, “Ascensão e Queda do Terceiro Reich” se mostra um livro indispensável para todos aqueles que procuram entender e vivenciar a origem e as consequências da II Guerra Mundial.

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Livros que Li: Uncommon Sense – The Heretical Nature of Science – Alan Cromer

outubro 25, 2012 Deixe um comentário

O pensamento tradicional diz que a ciência é uma evolução inexorável do desenvolvimento humano, uma consequência de nossa natureza. Alan Cromer, em seu livro, discorda dessa visão e argumenta que a ciência foi uma conquista da humanidade que só pode ocorrer devido a fatores muito especiais e que, provavelmente, ela jamais teria surgido se diversos fatores específicos não estivessem presentes.

Seu primeiro capítulo é destinado a explicar os aspectos da ciência. O principal ponto é que o conhecimento científico é cumulativo e pleno. Novas descobertas não invalidam o conhecimento anterior, mas sim o complementa. É utilizada como exemplo a relatividade, que não invalida a física clássica newtoniana, mas sim explica como a física funciona em diferentes escalas. Apesar de o avanço aumentar nossa capacidade de realizar proezas, a compreensão de determinados assuntos limitam o possível, ou seja, nos faz perceber o quão longe poderemos chegar e de onde não poderemos passar. O autor ressalta que os três aspectos da ciência por ele listado (o fato de ser recente, a integridade de alguns de seus conhecimentos fundamentais e sua harmonia intrínseca) nos permitiu “pela primeira vez ter o conhecimento verdadeiro da natureza da existência e nosso lugar nela”.

Segundo Cromer, a ciência é a crença herética de que a verdade sobre a real natureza das coisas é para ser encontrada pelo estudo delas mesmas. Também é proposta a restrição do termo ciência a ciência moderna, pois ela é um sistema de pensamento muito diferente dos anteriores, como a astrologia e a necromancia. A ciência é a rejeição do pensamento intuitivo e a adoção da ideia que o conhecimento só pode ser adquirido através da investigação objetiva.

 Aristóteles

                O autor utiliza o trabalho de Jean Piaget para basear sua ideia de que o desenvolvimento de capacidades racionais exige uma reunião cumulativa de fatores. Portanto, as capacidades racionais e críticas devem ser cultivadas e fomentadas. Eles necessitam de um ambiente específico que, segundo ele, apenas os gregos foram capazes de desenvolver. O resultado é que as outras sociedades, mesmo que tenham produzido determinados avanços tecnológicos além dos gregos, não poderiam romper o egocentrismo tradicional na objetividade científica.

                O egocentrismo, segundo Piaget, é o principal obstáculo do crescimento mental e, para Cromer, este foi o principal obstáculo para o desenvolvimento da ciência. O egocentrismo dá origem ao animismo e, até que o ser humano não conseguisse eliminar ambos, o desenvolvimento do pensamento objetivo não seria possível. A ciência deve ser livre do sobrenatural.

Peanuts: Exemplo do egocentrismo de Piaget

                O autor destina um capítulo do livro explicando a evolução humana, distinguindo-nos dos animais e para dizer que nossa habilidade de construir ferramentas é inata, mas não a capacidade de pensar objetivamente. Outras civilizações conseguiram avanço tecnológico, mas nenhuma delas constituiu uma abordagem holística e racional-científica comparável a formas modernas de pensamento científico. Diz também que há limites culturais que impediram o surgimento da ciência. A religião sempre teve muita influência na cultura. A Bíblia, argumenta, é o exemplo de representação de uma cultura de pensamento egocêntrico, já a Ilíada e a Odisseia são exemplos de uma cultura de pensamento racional. Para o autor, os seguintes fatores culturais permitiram o pensamento científico na Grécia antiga:

1-      Assembleia

2-      A economia marítima

3-      Um mundo de língua grega

4-      Uma classe mercante independente

5-      A Ilíada e a Odisseia

6-      Uma literatura religiosa não dominada por sacerdotes

7-      Persistência desses fatores por mais de mil anos.

Ele argumenta que, apesar dessas características, o surgimento do racionalismo e da ciência não é inevitável, pois depende também de condições materiais e predileções culturais criadas pelo pensamento e ação humanas. Tudo isso, então, levaria ao desenvolvimento da investigação científica. Apesar de haver argumentos concretos e históricos que sustente, por exemplo, o papel da economia marítima e de um mundo de língua grega nesse desenvolvimento cultural, a explicação parece um pouco superficial. Não há explicações maiores sobre o porquê de a literatura religiosa não ser dominada pelos sacerdotes, por exemplo. Falta também uma explicação mais aprofundada sobre a assembleia, não seria ela consequência de uma característica cultural da civilização grega e, assim, não ser a assembleia em si uma das causas do pensamento objetivo e sim um resultado de uma característica intrínseca do povo heleno?

Com a invenção independente da imprensa por Guttenberg, na idade média, e a consequente diminuição do preço e aumento da facilidade de acesso aos livros, as ideias gregas foram redescobertas na Europa. Para o autor, as razões da revolução científica residem no fato da continuação da ciência grega, na existência de um governo descentralizado e cidades autônomas, no capitalismo com o surgimento das universidades e da imprensa. Dessa maneira, através de Copérnico, Galileu e Newton, a humanidade pode se desprender do egocentrismo e do animismo e tirar a Terra do centro do universo, derrubando o mundo aristotélico que perdurava havia dois mil anos.

O Universo de Ptolomeu: Terra ligeiramente deslocada
do centro e demonstrando os epiciclos que explicariam
o movimento retrógrado dos Planetas.

Cromer afirma repetidamente, durante todo seu diálogo, que o pensamento objetivo só poderia ter surgido na Grécia e em nenhum outro lugar, e que a ciência atual é uma extensão da retórica grega. Entretanto não há provas cabais que determinem definitivamente que essa asserção seja válida. Aliás, seria impossível provar que o pensamento objetivo não surgiria em outra civilização posterior à grega porque ele já existia quando essas civilizações surgiram.

Heliocentrismo: O movimento da Terra explica o aparente movimento retrógrado dos outros planetas.

São citadas a parapsicologia e a fusão a frio para alertar os perigos de escorregar-se da ciência para a pseudociência. O autor critica a visão romântica da ciência, uma história até alquímica, como a ideia de um pesquisador sozinho fazer uma grande descoberta que mudará os rumos da humanidade. Com esses exemplos ele demonstra a importância do registro para confirmação de um experimento, da possibilidade de reprodução de um trabalho e das referências bem selecionadas para a submissão de um trabalho. Há também relato de um caso onde experientes pesquisadores do CERN erraram ao selecionar dados para a confirmação de uma hipótese, tornando a amostra viciada. A ciência é feita por pessoas que sempre estão sujeitas a erros, porém é papel da ciência que todos os trabalhos sejam revistos e reproduzidos para confirma-los. O cientista não pode ter a mente aberta a ponto…

O final do livro faz fortes críticas ao projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence), visando até mesmo colocar em xeque a natureza científica do empreendimento. O cerne da crítica é que essa busca não respeita o princípio da falseabilidade, visto que, utilizando a metodologia científica, não é possível provar que algo não exista. Cromer ainda argumenta que o projeto é inútil e muito dispendioso, inclusive afirmando que o ser humano nunca conseguirá manter contato com uma civilização extraterrestre. Talvez o projeto seja mesmo um desperdício de recursos que poderiam ser aplicados de maneira mais eficiente para desenvolvimento de retorno imediato e concreto, e talvez esta seja mesmo uma busca abnóxia. Entretanto avanços tecnológicos podem surgir graças a grandes empreitadas. Segundo o autor, o ser humano está para sempre preso no planeta Terra, e jamais conseguirá explorar outro lugar habitável, argumentando que a velocidade limite do universo é a velocidade da luz. Atualmente há teorias que desafiam a máxima de Einstein, como o astrônomo português João Magueijo, que sugere que a velocidade da luz possa ser diferente em diferentes lugares do espaço. Há também especulações baseadas em novas descobertas da física que buscam por atalhos no espaço para fazer uma viagem espacial. Apesar de tudo ainda parecer bastante com ficção científica, essa imaginação fértil pode resultar em descobertas importantes e, apesar do cientista não poder ter a mente aberta a ponto de o cérebro desprender-se de sua cabeça, ele não pode a ter tão fechada a ponto de afirmar, como Lorde Kelvin, que a física já está praticamente fechada e só restam alguns detalhes a esclarecer. Cromer passa perto desta assertiva.

Radiotelescópios do projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence)

Finalizando, há uma proposta ao ensino de ciências, na qual o autor prega a instrução de professores por profissionais da ciência para aumentar-lhes o conhecimento fundamental da ciência para que possam ensiná-la de maneira mais efetiva. O autor também propõe a eliminação dos dois últimos anos do ensino médio, aumentando a carga de estudos nos outros anos, argumentando que os alunos assim se formariam com quinze anos na escola e com vinte na faculdade. Esta é uma visão totalmente política e capitalista, que tem como objetivo apenas o fornecimento de massa humana ao trabalho. Se um estudante de dezessete anos muitas vezes não tem maturidade para escolher uma profissão, é realmente difícil acreditar que um aluno de quinze irá ter. Outro problema é que esse devaneio não contempla também o aluno como ser humano, transformando-o numa máquina de estudar em meio a todos os percalços da puberdade. A fantasia planeja até eliminar as artes e os esportes da escola, ignorando completamente os estudantes que escolheriam esses caminhos como carreira para vida inteira. Essa atitude também despreza a importância cultural e econômica dessas atividades, além do efeito benéfico que podem trazer ao indivíduo emocionalmente ao dedicar-se a elas.

Concluindo, o livro mostra-se coeso em seus argumentos, sendo a visão de um cientista à ciência, e não um filósofo. O livro apresenta uma bela descrição histórica relacionada a ciência. Entretanto, há superficialidade nas análises e sua afirmação principal, apesar de não ser irrefutável, é capaz de nos fazer refletir sobre o nascimento da ciência.

Recomendado: Qual a situação da Educação Científica no Brasil

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Lampejos de um Gênio

julho 5, 2011 1 comentário

Nesse vídeo de 1988, Isaac Asimov fala sobre o impacto que a internet causaria no futuro, na vida das pessoas. Aí vemos a singular qualidade de enxergar à frente que só mesmo os gênios possuem.

Para quem não conhece, Asimov foi escritoR de ficção e divulgação científica, em sua vasta obra há títulos bastante conhecidos do grande público, devido aos filmes que renderam: “O Homem Bicentenário”, “Eu, robô” e “Gandahar”. Há planos para a filmagem da trilogia “Fundação”.

(para legendas, basta clicar em CC no player)

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Livros que Li: Os Miseráveis

Muitas pessoas tem o dom de escrever bem, uma pequena parte deles consegue publicar algum livro, uma parte menor ainda consegue sucesso com seus livros e são raríssimos os que produzem obras imortais que, independente do tempo, ainda causarão reflexões atuais. É o caso de Homero, Aristóteles, Dostoiévski, Cervantes, Shakespeare, Dante Aliguieri, Tolstói, Camões, Proust etc.

Victor Hugo é um desses escritores gênios que atravessarão os séculos como imortais e, assim sendo, fica complicado dissertar sobre a magnum opus de um autor que é estudado massivamente por mestrandos, doutorandos, doutores das mais diversas áreas. Mas o faço com o intuito apenas de expressar minha satisfação ao término de tal obra.

A edição que eu li (mostrada na foto) é magnificamente rica, com 1280 páginas preenchidas com 816 notas de pé de página elucidativas do contexto histórico e cultural da França no século XIX, numa edição de capa dura impecável com lindas imagens entre um capítulo e outro.

Para quem não conhece a história, ela se passa na França do século XIX, entre a Batalha de Waterloo e os motins de junho de 1832. Jean Valjean é o personagem principal, um miserável, que cumpriu pena de 19 anos de serviços forçados por roubar um pão para dar a sua família. Tudo gira em torno dele, direta ou indiretamente, ou seja, tudo que o afeta ou afetará sua vida após sua libertação.

Mas a história não é SOBRE ele, mas sim sobre a MISÉRIA, as causas dela e as consequências para os que nela vivem. Através desse simples homem, mantido ignorante pela política e tornado criminoso pela sua ignorância, Victor Hugo expõe o quão castrativa é a falta de conhecimento, de oportunidade e acesso à educação. Todo enredo que envolve Jean Valjean expõe a crueldade que é a condenação à ignorância. E não apenas ele é vítima dessa perversa pena, outros personagens importantes também têm seu destino selado (negativamente) pela miséria, como é o caso de Fantine, Cosette, Éponine e Gavroche. Esse tema é um dos motivos de a obra ser tão atual, mas para falar da atualidade da obra, nada melhor que o sucinto prefácio escrito pelo próprio autor:

Enquanto, por efeito de leis e costumes, houver proscrição social, forçando a existência, em plena civilização, de verdadeiros infernos, e desvirtuando, por humana fatalidade, um destino por natureza divino; enquanto os três problemas do século – a degradação do homem pelo proletariado, a prostituição da mulher pela fome, e a atrofia da criança pela ignorância – não forem resolvidos; enquanto houver lugares onde seja possível a asfixia social; em outras palavras, e de um ponto de vista mais amplo ainda, enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria, livros como este não serão inúteis

Tranquilamente, o autor vai narrando e descrevendo um ambiente ricamente detalhado no qual o leitor se sente fazendo parte dele. É como estar presente na França e presencear a dura vida dos menos favorecidos, provar a incapacidade que a falta (e também o impedimento) de oportunidade causa. É incrível como, através de palavras impressas, podemos mergulhar nas lamas das ruas dos bairros pobres de Paris, sufocar na prisão do convento mais rígido da França, fugir dos inimigos mais ignorantes, provar do ciúme mais verdadeiro, penar na desgraça mais injustamente imposta.

Victor Hugo aproveita não apenas o enredo da história para dar sua opinião, como também cria capítulos específicos para falar diretamente sobre ela, sem pressa ou intenção de resumir para deixar a leitura mais fluida. Também faz capítulos longos apenas para descrição de determinados eventos, cujo detalhamento excede sua necessidade para fazer entender a história. Entre estes, podemos citar a descrição do labirinto das galerias subterrâneas do esgoto de Paris, a narrativa da Batalha de Waterloo e um que ele descreve tudo que aconteceu no ano de 1817. Mas uma história não deve se restringir apenas ao que é necessário e, num livro do porte d’Os Miseráveis, nada é dispensável.

Não me estenderei mais, se fosse comentar cada propriedade desta maravilhosa obra, eu teria que escrever o dobro das 1280 páginas. Só me resta falar que este livro é cultura, é conhecimento, é aprendizado, é romance, é prazer. Não é recomendado, é obrigatório.

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Livros que Li: A Luneta Âmbar (Trilogia Fronteiras do Universo)

abril 25, 2011 3 comentários

Já comentei AQUI sobre o primeiro e AQUI sobre o segundo livro da trilogia Fronteiras do Universo, escrita pelo inglês Philip Pullman. Nesse post comentarei sobre o terceiro livro.

No derradeiro capítulo da trilogia temos a história praticamente inteira em si. A história começa a ficar tão grande e complexa que, quando estava lendo, eu fiquei com medo que o autor ficasse menor que a história e não pudesse lhe dar um final digno. Ledo engano (ainda bem), Pullman vai aos poucos juntando os pontos que estavam soltos desde o primeiro livro, passando pelo segundo, ao mesmo tempo em que vai formando um mistério a respeito do universo que criou.

Lyra e Will começam a amadurecer em “A Luneta Âmbar”, personagens antigos começam a ter importante papel na trama. Reside nesse livro uma elucidação dos fatos e da estrutura da vida, da matéria, dos seres e tudo mais que existe e interfere na vida que pode desagradar as pessoas mais religiosas. Entretanto devemos ter em mente que o livro é uma ficção e nada mais, ninguém vai pensar que a estrutura do universo seja realmente dessa maneira.

Desde o começo da trama, o ritmo é empolgante, e acontecimentos anteriores que parecia despretensiosas nos outros volumes, e até mesmo neste, mostram ter valor importante numa trama que vai se fechando e ligando todos os pontos de uma maneira espetacular e de grande imaginação. Os protagonistas, crescidos, transbordam carisma e todos personagens têm um final digno da história, que foge da dualidade do “bem” e do “mal”.

É complicado falar sem entregar. Só me resta recomendar também o terceiro volume que, na minha opinião, é disparado o melhor dos três. E lembre-se, esqueça o filme, não estrague a verdadeira história.

Leia sobre o volume 1:  Bússola de Ouro.

Leia sobre o volume 2: A Faca Sutil.

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Livros que Li: A Faca Sutil (Trilogia Fronteiras do Universo)

dezembro 21, 2010 Deixe um comentário

Já comentei AQUI sobre o primeiro livro da trilogia Fronteiras do Universo, escrita pelo inglês Philip Pullman. Nesse post comentarei sobre o segundo livro.

A Faca Sutil é o segundo volume da série e foi lançada em 1997, dois anos após o primeiro. Nele, Philip apresenta ao leitor um personagem totalmente novo num mundo totalmente diferente do que se passa no primeiro livro. Isso pode gerar um certo desconforto quando começamos a ler, pois há uma quebra na continuidade. Entretanto, esse novo personagem, Will Parry, que é o protagonista do livro, também é um personagem forte, carismático, apesar de ter uma personalidade bem diferente da de Lyra. É através de seus olhos que o narrador expõe um mundo bem familiar para o leitor: o nosso. Já podemos perceber que não há um impacto causado pela descrição de um mundo fantástico, como ocorreu anteriormente.

Will é um garoto de doze anos de idade que vive com a mãe, que tem problemas mentais, e acaba acidentalmente matando uma pessoa que invadia sua casa. Percebendo o perigo, foge para Oxford à procura do pai, há tempos desaparecido.

A sensação de ausência de continuidade começa a perder a força logo que as primeiras páginas são lidas, onde encontramos alguns elementos distantemente comuns com a “Bussola de Ouro”. Aparições de portais e pequenos mistérios logo surgem para nos prender ao enredo e subitamente somos apresentados a um terceiro mundo ainda menos fascinante que o do começo do livro, porém, muito mais intrigante. Não demora muito também para que Will e Lyra se encontrem e, o que começa parecendo pequeno e monótono logo se transforma, principalmente com o surgimento da faca sutil, e nos vemos diante de mais enigmas e também de explicações científicas que põem por terra a metafísica e o misticismo, assuntos controversos entre cientistas, religiosos, místicos etc.

Gostei desse segundo livro tanto quanto do primeiro, mas o acho mais completo. A história vai crescendo de maneira alucinante, mas o autor nunca perde o controle dela, como acontece com tantos livros que se tornaram maiores que seus autores e acabaram decepcionando. As explicações de cientistas sobre o sobrenatural fogem do clichê, da pieguice e, sobretudo, da pseudociência. As informações essenciais são lançadas, mas sempre ficando aquele detalhe por descobrir, que leva o leitor a virar ansiosamente cada uma de suas 300 páginas sem nunca se cansar.

O livro tem um leve desfecho, que nos leva a comprar o terceiro volume da série, “A Luneta Âmbar”, e lê-lo ainda mais deliciosamente. Recomendo.

Leia sobre o Volume 1: A Bússola de Ouro.

Leia sobre o Volume 3: A Luneta Âmbar.

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Livros que Li: A Bússola de Ouro (Trilogia Fronteiras do Universo)

novembro 17, 2010 2 comentários

Acho que muita gente já ouviu falar pelo menos do primeiro livro da série, A Bússola de Ouro, infelizmente por ter resultado num equivocado filme (pelo que li de alguns críticos) estrelado por Nicole Kidman e Daniel Craig (o novo 007). O que vou falar aqui é exclusivamente sobre os livros.

A série, chamada “His Dark Materials” em inglês, conta com os livros: A Bússola de Ouro, A Faca Sutil e A Luneta Âmbar (Northern Lights, The Subtle Knife e The Amber Spyglass no original). O autor, o inglês Phillip Pullman, usou de uma fantástica imaginação e criou uma história complexa, rica em detalhes, com vários fragmentos que, não parece, mas são unidos e farão total sentido no final.

No primeiro livro, A Bússola de Ouro, conhecemos uma protagonista orfã de apenas 12 anos, Lyra, que é mestre em inventar histórias, no melhor estilo malandro que os brasileiros conhecem e, de repente, se vê no meio de uma complicada e misteriosa trama onde estão envolvidos os maiores poderes do mundo em que vive. A personagem é muito bem construída e complexa e conquista o leitor, através da leitura ela transpassa suas descobertas, medos, dúvidas, alegrias e tristezas.

Esse mundo que ela habita não é o que conhecemos, Pullman demonstra toda sua habilidade como narrador e cria um ambiente fantástico e ricamente detalhado sem ser redundante e excessivamente descritivo. É uma espécie de universo paralelo meio com clima vanguardista, muito parecido com o nosso, como se o planeta fosse o mesmo, até mesmo com alguns nomes de cidades iguais, como Oxford. A diferença reside principalmente nas questões tecnológicas e políticas: em vez de aviões e carros temos Zeppelins e carroças. Apesar desse aparente atraso tecnológico a trama revela o domínio da física quântica por alguns membros do chamado Magisterium e é aí que reside a polêmica desse primeiro livro que conquistou o Guardian Children’s Fiction Prize e o Carnegie Prize. Essa entidade é a igreja do mundo de Lyra e ela domina a política e é responsável pelas maiores atrocidades do livro: o rapto de crianças e a destruição de sua “alma” (que aparece no livro mais no sentido de consciência). Apesar desse ataque por parte de algumas religiões à história eu penso, realmente, que é uma bobagem. Fica claro que se trata de outra história e praticamente nada tem em comum com as religiões do mundo real.

Essa alma é outra palavra-chave em “A Bússola de Ouro”. Na história todas pessoas possuem a alma (chamada de daemon) exteriorizada ao corpo e materializada na forma de um animal que sempre a acompanha. Esse animal varia de um indivíduo para outro (podendo ser cachorro, gato, macaco etc.) de acordo com sua consciência e, assim sendo, é possível que se tenha uma ideia da personalidade da pessoa a partir do tipo de animal que é seu daemon. Essa invenção é outra excelente sacada do autor, que nos apresenta um Pantalaimon, o daemon de Lyra, tão formidável e carismático quanto ela. De resto eu nada vou revelar para não entregar a história (ainda mais).

No primeiro volume da série Pullman cria uma história fantástica, mas ainda é uma parte muito pequena dela, e a mais simples. Pode parecer meio boba e um pouco infantil no começo, mas recomendo a leitura e a persistência (não é NADA difícil persistir) para o seguimento dos outros dois livros, que são ainda melhores que esse. Eu vejo esta primeira parte mais como uma introdução da história e como uma ambientação ao universo magnífico criado. No decorrer da série o leitor se verá envolto num cenário ainda mais fantástico e imerso em um clima no qual não desejará parar de virar as páginas e acordar.

Fica a dica e a indicação. Em postagens futuras falarei dos próximos volumes.

Leia sobre o Volume 2: A Faca Sutil.

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