Para o Vaticano, nada é pior que homossexuais com direito

novembro 26, 2012 1 comentário

Essa semana a seguinte notícia:

Vaticano combaterá casamento gay após conquistas nos EUA e Europa
Igreja diz que lutará contra tentativas de ‘apagar’ casamento heterossexual.
Editoriais declaram a ‘inequívoca’ oposição da Igreja Católica Romana.

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/11/vaticano-promete-combater-casamento-gay-apos-vitoria-nos-eua-e-europa.html

Pois então. Esse é o grande problema da humanidade né? Como já disse o próprio papa também a pouco tempo atrás, ainda esse ano. O problema do mundo são os casamentos homossexuais.

Casamento gay ameaça a humanidade, diz o papa

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1031966-casamento-gay-ameaca-a-humanidade-diz-o-papa.shtml

Sim sim… É esse o problema. O ditador sírio matando inocentes a rodo, extremistas islâmicos atirando à queima-roupa em meninas que apenas querem o direito de estudar, as sérias crises econômicas no mundo, o aquecimento global, a SERÍSSIMA epidemia da AIDS no continente africano… Essas coisas nada são perto do casamento homossexual, uma tragédia da humanidade, segundo o Vaticano.

Eu pergunto, porque se importam? Eu não sou católico para ficar achando o que os retrógrados “donos” do catolicismo apostólico romano devem ou não pensar. O problema é quando suas atitudes extremadas afetam diretamente a vida das pessoas que NÃO ESCOLHERAM SEGUIR ESSA RELIGIÃO. Ou seja, eles não só são contra o casamento gay, eles também utilizam de todas as maneira possíveis para fazer com que TODOS ajam do jeito que eles julgam ser o correto agir, querendo fazer com que o mundo siga sua visão, não dando o mínimo valor à liberdade individual.

Qual o grande lance? Homossexuais não podem ter filhos e, não sendo férteis, não podem se casar? Ora, o que diríamos então dos casais heterossexuais inférteis? Também deveriam ser proibidos de se casar, flertando com as ideias nazistas do século passado? A criança ia crescer perturbada, sofrer preconceito? As crianças só sofrerão preconceito enquanto essa visão ridícula se perpetuar e enquanto essas entidades (religiosas principalmente) continuarem a taxar os homossexuais de amorais. Como se ter dois pais ou duas mães fosse pior do que crescer sem nenhum pai e nenhuma mãe, num orfanato… Francamente…

E as instituições religiosas também lutam contra a aprovação de uma emenda que tornaria ilegal discriminar uma pessoa pela sua orientação sexual. Ou seja, elas querem ter o direito de dizer que uma pessoa é inferior, ou indigna, ou o que quer que seja, por ela ter uma orientação sexual diferente da maioria. Gostaria de saber se o vaticano ou os caciques dessas igrejas evangélicas que se disseminam pelo país também seriam a favor de retirar dessa lei o direito dos religiosos de não serem discriminados. Assim as pessoas poderiam dizer livremente que um cristão, por exemplo, é indigno, amoral, inferior e, por isso, não contratá-lo numa entrevista de emprego. Ou então proibir um evangélico de usar o elevador de hóspedes, que tal?

Já usei esse argumento antes, mas imaginemos que os testemunhas de Jeová fossem a maioria nesse país e quisessem aprovar um projeto de lei proibindo a transfusão de sangue. Será que os demais cristãos apoiariam essa atitude? Se eles pensam que, por ser maioria, podem exigir que todos ajam como eles, coerentemente eles deveriam achar que outra maioria tem o total direito de exigir o modo de vida deles para todos, até mesmo os “não-testemunhas”.

Aliás, tanto deveriam apoiar essas intromissões injustificáveis na vida alheia, que um membro da ICAR tentou impedir uma menina de 9 anos que havia engravidado, vítima de um estupro, de fazer o aborto, tentando passar por cima da LEI que GARANTE esse DIREITO.

Como não bastasse isso, os católicos fazem campanha CONTRA O USO DE PRESERVATIVOS no Brasil. Passam por cima da lei, prejudicam uma campanha de concientização que exige MILHÕES de reais de dinheiro PÚBLICO. Eles inclusive dificultam a distribuição de preservativos. Isso é um CRIME, algo que não deveria ser tolerado, pois essa atitude contribui para que inúmeras pessoas contraiam não apenas a AIDS, como também demais DSTs.

“Aaaaaaaaaah”, você me diz, “mas eles fazem isso porque o que eles querem é que haja comprometimento e apenas um parceiro sexual para toda vida, se todos tivessem agissem dessa maneira, não haveria disseminação do vírus”. Primeiro é que essa visão é utópica e impossível. Nem na idade média, que a igreja tinha maiores poderes sobre as pessoas e capacidade de fazer coisas piores legalmente (inquisição), isso era possível. E nem precisamos ir tão longe, atualmente, dentro da própria igreja, isso não é possível, basta vermos os escândalos dos padres pedófilos e a tentativa do próprio papa (quando era cardeal) encobrí-los. LINK

Segundo, se alguém do casal contrai AIDS por outros meios, o parceiro irá se contaminar também. Terceiro, uma coisa é orientar os devotos a adotarem essa medida, outra coisa é querer fazer com que TODOS, mesmo os que não são católicos, ajam dessa maneira. Só eu que acho tudo isso um absurdo?

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Livros que Li: Uncommon Sense – The Heretical Nature of Science – Alan Cromer

outubro 25, 2012 Deixe um comentário

O pensamento tradicional diz que a ciência é uma evolução inexorável do desenvolvimento humano, uma consequência de nossa natureza. Alan Cromer, em seu livro, discorda dessa visão e argumenta que a ciência foi uma conquista da humanidade que só pode ocorrer devido a fatores muito especiais e que, provavelmente, ela jamais teria surgido se diversos fatores específicos não estivessem presentes.

Seu primeiro capítulo é destinado a explicar os aspectos da ciência. O principal ponto é que o conhecimento científico é cumulativo e pleno. Novas descobertas não invalidam o conhecimento anterior, mas sim o complementa. É utilizada como exemplo a relatividade, que não invalida a física clássica newtoniana, mas sim explica como a física funciona em diferentes escalas. Apesar de o avanço aumentar nossa capacidade de realizar proezas, a compreensão de determinados assuntos limitam o possível, ou seja, nos faz perceber o quão longe poderemos chegar e de onde não poderemos passar. O autor ressalta que os três aspectos da ciência por ele listado (o fato de ser recente, a integridade de alguns de seus conhecimentos fundamentais e sua harmonia intrínseca) nos permitiu “pela primeira vez ter o conhecimento verdadeiro da natureza da existência e nosso lugar nela”.

Segundo Cromer, a ciência é a crença herética de que a verdade sobre a real natureza das coisas é para ser encontrada pelo estudo delas mesmas. Também é proposta a restrição do termo ciência a ciência moderna, pois ela é um sistema de pensamento muito diferente dos anteriores, como a astrologia e a necromancia. A ciência é a rejeição do pensamento intuitivo e a adoção da ideia que o conhecimento só pode ser adquirido através da investigação objetiva.

 Aristóteles

                O autor utiliza o trabalho de Jean Piaget para basear sua ideia de que o desenvolvimento de capacidades racionais exige uma reunião cumulativa de fatores. Portanto, as capacidades racionais e críticas devem ser cultivadas e fomentadas. Eles necessitam de um ambiente específico que, segundo ele, apenas os gregos foram capazes de desenvolver. O resultado é que as outras sociedades, mesmo que tenham produzido determinados avanços tecnológicos além dos gregos, não poderiam romper o egocentrismo tradicional na objetividade científica.

                O egocentrismo, segundo Piaget, é o principal obstáculo do crescimento mental e, para Cromer, este foi o principal obstáculo para o desenvolvimento da ciência. O egocentrismo dá origem ao animismo e, até que o ser humano não conseguisse eliminar ambos, o desenvolvimento do pensamento objetivo não seria possível. A ciência deve ser livre do sobrenatural.

Peanuts: Exemplo do egocentrismo de Piaget

                O autor destina um capítulo do livro explicando a evolução humana, distinguindo-nos dos animais e para dizer que nossa habilidade de construir ferramentas é inata, mas não a capacidade de pensar objetivamente. Outras civilizações conseguiram avanço tecnológico, mas nenhuma delas constituiu uma abordagem holística e racional-científica comparável a formas modernas de pensamento científico. Diz também que há limites culturais que impediram o surgimento da ciência. A religião sempre teve muita influência na cultura. A Bíblia, argumenta, é o exemplo de representação de uma cultura de pensamento egocêntrico, já a Ilíada e a Odisseia são exemplos de uma cultura de pensamento racional. Para o autor, os seguintes fatores culturais permitiram o pensamento científico na Grécia antiga:

1-      Assembleia

2-      A economia marítima

3-      Um mundo de língua grega

4-      Uma classe mercante independente

5-      A Ilíada e a Odisseia

6-      Uma literatura religiosa não dominada por sacerdotes

7-      Persistência desses fatores por mais de mil anos.

Ele argumenta que, apesar dessas características, o surgimento do racionalismo e da ciência não é inevitável, pois depende também de condições materiais e predileções culturais criadas pelo pensamento e ação humanas. Tudo isso, então, levaria ao desenvolvimento da investigação científica. Apesar de haver argumentos concretos e históricos que sustente, por exemplo, o papel da economia marítima e de um mundo de língua grega nesse desenvolvimento cultural, a explicação parece um pouco superficial. Não há explicações maiores sobre o porquê de a literatura religiosa não ser dominada pelos sacerdotes, por exemplo. Falta também uma explicação mais aprofundada sobre a assembleia, não seria ela consequência de uma característica cultural da civilização grega e, assim, não ser a assembleia em si uma das causas do pensamento objetivo e sim um resultado de uma característica intrínseca do povo heleno?

Com a invenção independente da imprensa por Guttenberg, na idade média, e a consequente diminuição do preço e aumento da facilidade de acesso aos livros, as ideias gregas foram redescobertas na Europa. Para o autor, as razões da revolução científica residem no fato da continuação da ciência grega, na existência de um governo descentralizado e cidades autônomas, no capitalismo com o surgimento das universidades e da imprensa. Dessa maneira, através de Copérnico, Galileu e Newton, a humanidade pode se desprender do egocentrismo e do animismo e tirar a Terra do centro do universo, derrubando o mundo aristotélico que perdurava havia dois mil anos.

O Universo de Ptolomeu: Terra ligeiramente deslocada
do centro e demonstrando os epiciclos que explicariam
o movimento retrógrado dos Planetas.

Cromer afirma repetidamente, durante todo seu diálogo, que o pensamento objetivo só poderia ter surgido na Grécia e em nenhum outro lugar, e que a ciência atual é uma extensão da retórica grega. Entretanto não há provas cabais que determinem definitivamente que essa asserção seja válida. Aliás, seria impossível provar que o pensamento objetivo não surgiria em outra civilização posterior à grega porque ele já existia quando essas civilizações surgiram.

Heliocentrismo: O movimento da Terra explica o aparente movimento retrógrado dos outros planetas.

São citadas a parapsicologia e a fusão a frio para alertar os perigos de escorregar-se da ciência para a pseudociência. O autor critica a visão romântica da ciência, uma história até alquímica, como a ideia de um pesquisador sozinho fazer uma grande descoberta que mudará os rumos da humanidade. Com esses exemplos ele demonstra a importância do registro para confirmação de um experimento, da possibilidade de reprodução de um trabalho e das referências bem selecionadas para a submissão de um trabalho. Há também relato de um caso onde experientes pesquisadores do CERN erraram ao selecionar dados para a confirmação de uma hipótese, tornando a amostra viciada. A ciência é feita por pessoas que sempre estão sujeitas a erros, porém é papel da ciência que todos os trabalhos sejam revistos e reproduzidos para confirma-los. O cientista não pode ter a mente aberta a ponto…

O final do livro faz fortes críticas ao projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence), visando até mesmo colocar em xeque a natureza científica do empreendimento. O cerne da crítica é que essa busca não respeita o princípio da falseabilidade, visto que, utilizando a metodologia científica, não é possível provar que algo não exista. Cromer ainda argumenta que o projeto é inútil e muito dispendioso, inclusive afirmando que o ser humano nunca conseguirá manter contato com uma civilização extraterrestre. Talvez o projeto seja mesmo um desperdício de recursos que poderiam ser aplicados de maneira mais eficiente para desenvolvimento de retorno imediato e concreto, e talvez esta seja mesmo uma busca abnóxia. Entretanto avanços tecnológicos podem surgir graças a grandes empreitadas. Segundo o autor, o ser humano está para sempre preso no planeta Terra, e jamais conseguirá explorar outro lugar habitável, argumentando que a velocidade limite do universo é a velocidade da luz. Atualmente há teorias que desafiam a máxima de Einstein, como o astrônomo português João Magueijo, que sugere que a velocidade da luz possa ser diferente em diferentes lugares do espaço. Há também especulações baseadas em novas descobertas da física que buscam por atalhos no espaço para fazer uma viagem espacial. Apesar de tudo ainda parecer bastante com ficção científica, essa imaginação fértil pode resultar em descobertas importantes e, apesar do cientista não poder ter a mente aberta a ponto de o cérebro desprender-se de sua cabeça, ele não pode a ter tão fechada a ponto de afirmar, como Lorde Kelvin, que a física já está praticamente fechada e só restam alguns detalhes a esclarecer. Cromer passa perto desta assertiva.

Radiotelescópios do projeto SETI (Search for Extra-Terrestrial Intelligence)

Finalizando, há uma proposta ao ensino de ciências, na qual o autor prega a instrução de professores por profissionais da ciência para aumentar-lhes o conhecimento fundamental da ciência para que possam ensiná-la de maneira mais efetiva. O autor também propõe a eliminação dos dois últimos anos do ensino médio, aumentando a carga de estudos nos outros anos, argumentando que os alunos assim se formariam com quinze anos na escola e com vinte na faculdade. Esta é uma visão totalmente política e capitalista, que tem como objetivo apenas o fornecimento de massa humana ao trabalho. Se um estudante de dezessete anos muitas vezes não tem maturidade para escolher uma profissão, é realmente difícil acreditar que um aluno de quinze irá ter. Outro problema é que esse devaneio não contempla também o aluno como ser humano, transformando-o numa máquina de estudar em meio a todos os percalços da puberdade. A fantasia planeja até eliminar as artes e os esportes da escola, ignorando completamente os estudantes que escolheriam esses caminhos como carreira para vida inteira. Essa atitude também despreza a importância cultural e econômica dessas atividades, além do efeito benéfico que podem trazer ao indivíduo emocionalmente ao dedicar-se a elas.

Concluindo, o livro mostra-se coeso em seus argumentos, sendo a visão de um cientista à ciência, e não um filósofo. O livro apresenta uma bela descrição histórica relacionada a ciência. Entretanto, há superficialidade nas análises e sua afirmação principal, apesar de não ser irrefutável, é capaz de nos fazer refletir sobre o nascimento da ciência.

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Marcelo Gleiser e o Bóson de Higgs

julho 23, 2012 Deixe um comentário

O maior divulgador científico brasileiro e um dos maiores do mundo numa entrevista didática e interessantíssima.

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Humildade – Carl Sagan

abril 19, 2012 Deixe um comentário

Dispensa apresentações… Carl Sagan, como sempre, unindo informação e beleza.

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Protestos contra a retirada dos crucifixos no Rio Grande do Sul

março 7, 2012 2 comentários

Como bastante gente sabe, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, ordenou retirada dos crucifixos e símbolos religiosos nos espaços públicos dos prédios da Justiça gaúcha, depois de julgar um pedido feito pela Liga Brasileira de Lésbicas e de outras entidades sociais. Como era de se esperar, houve muita reclamação do lado dos cristãos. Dentre os mais incisivos e inflamados protestos, encontra-se o de Reinaldo Azevedo, que discutiremos nesse post.

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/num-momento-em-que-o-cristianismo-e-a-religiao-mais-perseguida-do-mundo-tj-do-rs-decide-cassar-e-cacar-os-crucifixos-os-cristaos-podem-se-preparar-vem-uma-onda-por-ai-com-o-crucifixo-tj-expulsa-t/#.T1enKYISzBQ.facebook

De praxe, tudo é bem tendencioso e não é difícil encontrar mentiras absurdas no decorrer do texto. Logo no título, por exemplo, o autor já profere um absurdo, dizendo que hoje o cristianismo é a religião mais perseguida do mundo… Muito pelo contrário, amigo, muito pelo contrário. Onde já se viu dizer que uma crença é perseguida quando ela consegue fazer que em alguns estados do país mais rico e poderoso do mundo seja ensinado o criacionismo nas aulas de ciências? Tentou-se fazer isso também no Rio de Janeiro! Como dizer que há perseguição num momento em que a chamada “bancada evangélica” desbrava os meandros do senado e da câmera federal, propondo leis absurdas ao ponto de querer tornar anticonstitucional uma lei (PEC 99/11) pelo simples fato de ela não estar de acordo com um grupo seleto de doutrinas religiosas? (http://www.eleicoeshoje.com.br/estado-laico-pec-99-11/#axzz1eACUvj3r). Como há perseguição num momento em que, pasmemos nós, um juiz de direito acata um relato de uma CARTA PSICOGRAFADA para INOCENTAR um réu!?!?!?!?

Azevedo procura, no decorrer de seu texto, a todo momento, incutir que essa decisão não é de um estado laico, mas sim de um estado anti-religião ou ateu, sempre adicionando o fator perseguição ao cristianismo, e falar que não é uma questão de fé, mas sim da raiz da cultura nacional. Concordo que há uma cultura cristã que responsável por vários aspectos na formação da nossa sociedade, mas acontece que a partir do momento em que O ESTADO expõe um símbolo de uma religião, seja ela qual for, ele está, necessariamente, professando-a. Não importa o quão nobre sejam os motivos/razões/intenções, não é atitude de um estado laico. A não ostentação de símbolos religiosos não fere o direito de ninguém.

Outro absurdo é que a democracia moderna nasceu do cristianismo… Isso parece até piada! Os reinados absolutistas europeus eram todos cristãos! Teve de haver revoluções populares para que se instaurasse a democracia! Democracia esta datada de um período anterior ao cristianismo.

Azevedo também recorre ao reductio ad absurdum para fazer valer seu ponto de vista. Reconheço a validade desse recurso lógico, mas no texto está mal utilizado, formando uma falácia. O fato de haver influência cristã na formação do nosso povo não significa que o estado deva professar essa fé da maioria dos homens que construíram nossa nação. Os nomes das cidades não são criados a cada dia, mas sim são heranças dessa cultura, assim como a Catedral de Brasília e o Cristo Redentor. Entretanto,  pendurar crucifixos nas casas da justiça é um ato diário DO ESTADO de professar a fé cristã.

Isso é sim proteção a laicidade do estado. Perseguição seria, meu amigo, se a ordem fosse proibir os funcionários públicos de utilizarem símbolos religiosos. O estado laico visa GARANTIR a liberdade religiosa e, por isso mesmo, NÃO DEVE professar nenhum tipo de fé, acolhendo todas as culturas e religiões, além de NÃO INTERFERIR nas religiões e NÃO PERMITIR SER INTERFERIDO pelas religiões.

Interessante é que na segunda parte do texto o autor começa a atacar o estado laico, “esquecendo-se” de que anteriormente não era o estado laico o problema, mas sim o que ele considera uma “perseguição” aos cristãos. Ele procura ligar o secularismo aos regimes ditatoriais soviético, cubano, chinês e norte-coreano, mas novamente tem um lapso de memória ao deixar de lado os dois mais poderosos e ricos países da Europa: a França e a Alemanha, além de esquecer os Estados Unidos e o Canadá. O problema das ditaduras apresentadas são o comunismo e o fato de ser uma ditadura, não o secularismo.

Reinaldo Azevedo ainda tem o disparate de citar o cristão que foi condenado à morte no Irã por mudar de crença! Qual tipo de estado o do Irã amigo? Laico ou teocrático? Não entendo o porquê de tamanha reação cristã, a retirada dos crucifixos não muda nada na fé deles.

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Criacionismo nas Escolas: Tendência Mundial?

fevereiro 6, 2012 3 comentários

Fiquei sabendo sobre esta matéria através de uma nota de repúdio publicada na página do facebook da Liga Humanista Secular, da qual sou membro. Então resolvi escrever essa postagem na esperança de que alguém que esteja procurando sobre esse mar de mentiras, venha ocasionalmente parar aqui para uma visão científica do neo-darwinismo despido de manipulações de fanáticos.

O site evangélico “verdade gospel” publicou semana passada uma notícia intitulada:

“Alerta: criacionismo nas escolas pode ser tendência mundial”
http://www.verdadegospel.com/criacionismo-nas-escolas-pode-ser-tendencia-mundial/

Como era de se esperar, a “notícia” vem recheada de preceitos e informações (ao meu ver, intencionalmente) erradas sobre o evolucionismo, na peregrinação crente de deseducar os bem informados e manter ignorantes científicos seus fiéis. Com o intuito de esclarecer essas mentiras, comentarei a seguir cada uma delas, separadamente.

“Esse processo [evolução] significa que os mais fortes sobrevivem e com a combinação de seus genes geram filhos mais fortes. Assim, cada geração é mais forte que a anterior, e os fracos da espécie são extintos.”

Esse é um erro muito comum na compreensão da evolução neo-darwinista. Uma palavra fundamental na definição do evolucionismo aqui foi trocada (na minha opinião, de forma intencional e perniciosa). Não são os mais fortes que sobrevivem, mas sim os mais adaptados. Um bom exemplo é a extinção no final do período mesozóico, mais precisamente o final do cretáceo, em que os grandes répteis, os animais mais fortes do planeta na época, sucumbiram com o impacto de um meteoro gigantesco e com as consequências do evento, mas os pequenos mamíferos, não. Ora, os mamíferos daquela era não possuíam um centésimo da força dos grandes répteis que reinavam absolutos nosso planeta, mas eram capazes de se esconder deles, eram difíceis de caçar e precisavam de pouca quantidade de comida. Essas características mais “humildes” desses pequenos roedores lhes garantiram a sobrevivência ante às adversidades climáticas ocasionadas pela catástrofe. O mais fraco e menor teve mais sucesso que o mais forte e maior, pois era mais adaptado para sobreviver naquele cenário.

“Muitos ligam o ensino deste pensamento a conceitos de ateísmo, segundo o Urban Christian News.”

Aqui encontramos uma afirmação genérica sem qualquer embasamento. O correto seria ao menos citar uma pesquisa que demonstrasse o fato alegado. O ateísmo, como bem sabemos, nada tem a ver com o evolucionismo, mas sim na descrença em um ou mais deuses. Mas, como os evangélicos são cegos (alguns intencionalmente?) à essa razão, e como, em geral, demonizam o ateu, eles forçam a ligação de uma coisa a outra para demonizar tudo, fazendo com que seus fiéis rejeitem ambos.

“O norte-americano republicano Jerry Bergevin, por exemplo, associa o ensino da teoria da evolução às atrocidades de Hitler e à falta de respeito aos direitos humanos em países como a União Soviética, Cuba, os nazistas e a China atual.”

Essa acusação é tão batida e descabida que eu nem deveria me designar a responder, mas como essa é uma postagem de esclarecimento, eu vou repetir o que é sempre dito. Primeiro que, para fazer essas afirmações, é evocado o nome de um ninguém que não é nada, apenas republicano, como se isso desse um selo de qualidade a alguém. Seguindo…

Teoria da Evolução e as atrocidades de Hitler: o que Hitler praticou foi a eugenia, ele acreditava que a então chamada “raça ariana” era superior e queria mantê-la “pura”, impedindo que os cidadão alemãos tivessem descendentes mestiços, seja com judeus, negros ou deficientes mentais. Isso tem muito menos a ver com ciência do que com crença, pois era uma crença de que os alemães eram superiores. Além do mais, seu objetivo não era fazer com que houvesse uma evolução da raça ariana, mas sim “evitar sua degeneração” com “cruzamentos impróprios”, a raça ariana já era considerada “mais evoluída”. Inclusive, basta entender corretamente a evolução e um pouquinho de genética para saber que a miscigenação é benéfica, dois bom exemplos é a incidência muito maior da Síndrome de Bloom em judeus Ashkenazi (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10464606) e da doença de Tay-Sachs (http://www.mazornet.com/genetics/tay-sachs.htm) nos mesmos, devido a casamentos internos, comuns nesta cultura. E Hitler era cristão, não ateu.

Os países comunistas desrespeitam os direitos humanos não por causa da seleção natural (isso é um absurdo!), mas sim pela sede de poder dos governantes que levam ao extremo e interpretam mal (intencionalmente) a filosofia comunista. Interessante que o texto acusa o que não há pra se acusar e “omite” a falta de respeito aos direitos humanos nos países regidos unicamente por uma religião, como é o caso dos países árabes. O texto também omite o fato de países com maior número relativo de descrentes serem os melhores para se viver (http://bulevoador.haaan.com/2011/04/22175/)(http://ex-cristao.blogspot.com/2007/09/causas-sociais-do-atesmo.html)

Esse início do artigo foi apenas uma introdução para que o leitor já ligue diretamente o ateísmo a uma coisa ruim, o ateísmo ao evolucionismo e, consequentemente, o evolucionismo a uma coisa ruim. Vejamos o que vem em seguida:

“Segundo sua declaração à publicação Concord Monitor, a ideia evolucionista ‘é uma visão mundo que não contempla Deus. O ateísmo tem sido tentado em várias sociedades e tem induzido a crimes de desrespeito aos direitos dos cidadãos.'”

Fala que a idea evolucionista não contempla Deus… Mas não menciona que a ICAR, a maior igreja cristã do mundo, aceita o evolucionismo, e isso não abala a fé de seus fiéis. O evolucionismo nada tem a ver com o ateísmo, ele simplesmente explica como as espécies evoluíram, isso é ciência.

Depois ele manipula o discurso, e já não fala em ensino do evolucionismo, mas sim em tentativas de induzir sociedades ao ateísmo! E o ateísmo levando a crimes, como se todos criminosos fossem ateus. Estudos já mostraram que isso é uma falácia, aqui colocada apenas para demonizar o ateísmo (http://ex-cristao.blogspot.com/2010/08/criminalidade-e-o-fator-deus-no-coracao.html).

Também fala em desrespeito aos cidadãos, quando são religiosos que, muitas vezes, querem tornar suas crenças em leis para que todos, quer compartilhem ou não de suas crenças, façam e sigam exatamente o que eles acreditam ser o correto. Isso sim é desrespeito. Um bom exemplo é a Arábia Saudita, país onde a apostasia pode ser punida com a morte.

Chega a vez do Brasil:

“No território brasileiro, onde o evolucionismo é ensinado em larga escala nas escolas, o criacionismo já está crescendo e ocupando um espaço maior nos livros didáticos.”

Foge do meu conhecimento esse dado. Até porque ele foi inventado. O criacionismo não pode ser ensinado nos livros didáticos, até porque criacionismo não é ciência (https://worldevolution.wordpress.com/2009/11/24/criacionismo-nao-e-ciencia/)

“as igrejas precisam promover mais encontros e eventos para debater o assunto e dissipar os mitos em torno tanto do evolucionismo quanto do criacionismo”

As igrejas? Está claro, nesse curto artigo, que a igreja não tem capacidade de educar cientificamente quem quer que seja. O evolucionismo é, e deve ser, ensinado na escola, o criacionismo é fé, e nada tem a ver com educação.

“Para o reverendo, os jovens cristãos muitas vezes não têm fundamentos sólidos para responder aos ataques de ateus e evolucionistas nas salas de aula e principalmente nas universidades.’Não é de admirar que muitos jovens evangélicos percam a fé quando entram na universidade, onde são confrontados com uma visão de mundo evolucionista, naturalista e ateia’, diz.”

Ataques de ateus e evolucionistas, como se fossemos perversos destruidores de fé. Se jovens perdem a fé por conhecerem o evolucionismo, isso não significa que o evolucionismo não exista, mas sim que esse tipo de fé tem bases tão fracas que é capaz de desmoronar por uma simples constatação científica real.

“Um dos poucos argumentos que unem fé e ciência é a teoria do ‘design inteligente’, que afirma a existência de uma ‘mente inteligente’ por trás de cada aspecto da vida, particularmente nas informações contidas nas moléculas de DNA das células.”

Refutei o “design inteligente” AQUI também.

Recomendado: Qual a situação da Educação Científica no Brasil

Esclarece bastante coisa.

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Gota D’água ou Tempestade em Copo D’água?

dezembro 4, 2011 1 comentário

Gota D’água ou Tempestade em Copo D’água?

Saiu até na Veja, então todos estão sabendo. O vídeo de celebridades versadas em provimento de energia elétrica rodou muito na internet esses tempos, tentando induzir quem assiste a assinar uma “petição” contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. Não demorou muito para surgirem respostas. Primeiro veio a notícia que a propaganda era uma cópia descarada de um vídeo feito por famosos americanos pela campanha de Obama, em 2008. Segundo veio um vídeo de Rafinha Bastos, ironizando celebridades que lutam “pela causa”. Terceiro veio um vídeo de alunos da Unicamp fazendo um contraponto e mostrando as distorções das informações. Outros vídeos vieram de anônimos e da MTV, também indo contra à “bondade” dos globais.

A crítica que eu faço é que, mesmo que o vídeo fosse feito com informações 100% verídicas e com argumentos satisfatórios, não seria eticamente correto, ao meu ver, ficar “exigindo” a quem assiste assinar qualquer coisa sem refletir e/ou pesquisar sobre o assunto. Um bom vídeo deveria incitar a curiosidade e visar fazer com que o espectador busque informações para que possa tomar uma decisão própria, fruto de sua própria reflexão.

Reúno aqui os principais vídeos.

Movimento Gota D’água, dos atores:

5 Friends, o vídeo plagiado:

Movimento Gota D’bosta, de Rafinha Bastos (o mais inteligente, irônico e direto):

Tempestade em Copo D’água? – dos estudantes, mostrando o contraponto:

Furo MTV falando sobre o assunto:

E esse anônimo, que eu não sei quem é, mas que falou legal:

E o contraponto do contraponto:

Não acho que devemos que concordar com nenhum desses vídeos, eu penso que devemos pesquisar, ler sobre o assunto, entender, descobrir nossa posição. Só vale lembrar, nesses casos, de George Carlin: nós não vamos acabar com o planeta, o planeta continuará existindo, vamos acabar é conosco.

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